segunda-feira, 5 de março de 2012

Sejam tolerantes com os que têm opiniões diferentes


           Apocalipse 3:20 “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.”

“Não é a diversidade de opiniões, algo que não pode ser evitado, mas a recusa da tolerância com os que são de opinião diferente, o que deveria ser reconhecido, que tem produzido todas as batalhas e guerras que ocorrem no mundo cristão, sob o pretexto da religião.” (John Locke)
        
          Deus é educado, como estamos careca de saber; Ele bate, e não sai invadindo. Mas mesmo assim uma das coisas que mais me chama a atenção é o fato de alguns cristãos quererem enfiar goela abaixo a sua verdade. Não estou dizendo para pararem de pregar, o que digo é que deveriam ter o respeito por quem recusa acreditar na palavra de Deus. Uma vez, na época que eu fazia o ensino médio, um amigo (metaleiro, tem aversão ao cristianismo) de turma disse: “pô Othinho, eu gosto de ti por que tu não é igual àqueles bandos de crentes chatos que praticamente te obrigam aceitar a Jesus. Bando de mala!” Olha a visão que ele tem de pessoas que tentaram levar a palavra até ele. Eu perguntei a ele o porquê dessa raiva e ele me respondeu que era por que os crentes geralmente não respeitavam a opinião dele, não aceitavam o fato dele reusar Jesus; tentavam obrigá-lo, impor a verdade do cristianismo.
            
             Agora vamos pensar e ser sinceros, a maioria dos cristão-evangélicos que conheço age dessa forma. E a conseqüência?! Cria antipatia por parte das pessoas. E acaba por fracassar no seu objetivo. O que atrapalha são os excessos. Cristãos fanáticos achando que todo mundo é a obrigação de crer em Jesus. Cristo é o melhor para as nossas vidas, para todas as vidas; porém não se pode enfiar goela abaixo Jesus e a sua cruz.



        Se assim o fizerem, ou pelo menos tentarem, com certeza Cristo e a sua cruz ficará engatada na garganta de muitas pessoas. A grande questão é que os cristãos têm dificuldades em entender as pessoas que não escolhem a Cristo. Bem aí mora a dificuldade. Mas como entender uma pessoa que não aceita o que nós acreditamos ser o melhor para ela?! (um cristão pergunta); a resposta está na pergunta: “... Nós acreditamos...”. Os cristãos acreditam em Jesus como o melhor para a vida deles e como o melhor para todo mundo. Mas se nem Jesus, o Cristo, entra sem bater, quem são vocês, ó seguidores de Cristo, para quererem forçar alguma coisa?!
             
         Tomar mais cuidado em relação à não aceitação de Cristo por parte de algumas pessoas é o que deveria ser pensado. A verdade de Jesus Cristo pode ser rejeitada sim; às vezes as pessoas não abrem a porta dos seus corações. Deve-se respeitar e não forçar. A força muitas vezes quebrará e destruirá toda possibilidade de uma pessoa aceitar a Cristo. Sejam tolerantes com os que têm opiniões diferentes.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O homem criou Deus

“O homem, em seu orgulho, criou Deus, a sua imagem e semelhança.” (Nietzsche)

Como assim o homem criou Deus? Que papo é esse?

Apesar de muitos filósofos, antropólogos, pensadores defenderem a tese de que realmente fora o homem quem criou Deus por não poder explicar certos fenômenos pela simples falta de conhecimento científico, não vou aqui defender essa tese propriamente dita. Percebi que o homem de hoje cria sim um deus, cria um deus para as suas próprias necessidades.
 Não vou discorrer sobre o deus que Nietzsche alvejou em suas obras, o deus de Nietzsche era o deus da moral. Nem tenho conhecimento suficiente para defender ou criticar o deus de Nietzsche, mas apenas tomarei como base essa citação dele para fundamentar uma visão que tenho da realidade atual do mundo cristão. Realidade que vem tornando a igreja doente, realidade que dá à igreja uma visão errada de Deus. Não o deus da moral de Nietzsche, mas o Eu Sou, o Deus abraâmico.
Segundo alguns estudiosos o homem cria deus pela necessidade de explicar algum fenômeno “inexplicável”, ou o homem cria deus para funcionar como bote expiatório de seus erros e responsabilidades. A frase de Nietzsche se encaixa na realidade da igreja de hoje no sentido de que o homem criou deus para as suas necessidades. Vamos analisar a realidade do homem de hoje e o que ele busca. O homem de hoje busca, utilizando o exemplo da velha pirâmide de Maslow, a auto-realização, a auto-estima, as necessidades sociais. Repare bem nos “auto” e não nos “alto”. O homem de hoje procura muito se encher das coisas que ele olha como as “certas”. O homem não busca esvaziar-se de si mesmo, mas sim encher-se de si e a si mesmo. Hoje o homem procura prosperidade, procura o carro do ano, a casa própria, procura ser um milionário; e isso dentro da realidade da igreja cristã.  Partindo desse pressuposto o deus que é pregado e apresentado às pessoas hoje se encaixa perfeitamente nessa realidade. Um deus que dá a prosperidade, a cura, um deus que te fará vencedor, que te dará a vitória. Esse deus se encaixa como uma luva nas necessidades que o homem busca hoje. Hoje, o crente abençoado é aquele que tem um, dois, três carros; é aquele que recebe a cura; é aquele que é vitorioso.
A igreja atual criou um deus a sua imagem e semelhança. O homem busca por bens, por cura, por vitória; logo cria um deus que dá isso a ele. Cria um deus que te dará um carro, uma casa, uma vida próspera. Deus te dá, mesmo não sendo a vontade Dele.  O que as igrejas têm pregado hoje em dia é isso aí. Estou cansado de ver na TV, nas portas das igrejas campanhas, correntes, simpatias, para se obter o tão sonhando bem material, a tão sonhada vitória.  Em vez de o homem buscar o evangelho de Jesus ele tem buscado um deus à sua imagem e semelhança. 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Velha bandeira da vida

                 Ah, o amor! A maior de todas as conquistas de um ser, há quem diga. Mas não, não vou falar sobre o que a maioria dos poetas fala. Não falarei de um amor platônico, de um amor tão esperado, do amor no sentido de gostar muito. Vou apresentar uma perspectiva interessante que percebi em uma letra do Lulu Santos, a letra da música “A cura” é muito interessante. Vamos conhecê-la:

Existirá / Em todo porto tremulará / a velha bandeira da vida
Acenderá / Todo farol iluminará / uma ponte de esperança
E se virá / Será quando menos se esperar / da onde ninguém imagina
Demolirá / Toda certeza vã / Não sobrará / Pedra sobre pedra
Enquanto isso / não nos custa insistir / na questão do desejo / não deixar se extinguir
Desafiando de vez a noção / na qual se crê / que o inferno é aqui
Existirá / E toda  raça então experimentará / Para todo mal / A cura

           Repare bem no título e na letra. Depois de ler essa letra várias vezes eu fiquei me perguntando qual seria essa cura. Cura que fará a velha bandeira da vida tremular; que iluminará com uma ponta de esperança; cura que, se vier, será quando menos se esperar; não sobrará pedra sobre pedra; cura que, se existirá, toda raça humana experimentará a cura para todo mal. Que cura seria essa?

                Percebi que o poeta fala do amor.  O amor traz uma ponta de esperança; o amor vem quando menos se espera e, às vezes, da onde ninguém imagina; o amor desconstrói muitos conceitos e nenhuma pedra fica sobre pedra; o amor cura todo mal, de toda uma raça. O amor é o que precisamos para combater toda dor que os humanos enfrentam, e isso da maneira mais abrangente que você puder imaginar, desde o relacionamento interpessoal ao relacionamento entre nações. Lulu Santos ao escrever “A cura” foi muito profundo. Ele soube receitar um antídoto para o mal de toda raça humana. Talvez a noção que ele tenha do amor como curador de males não seja tão profunda quanto a que os cristãos conhecem, mas ele sabe que os homens precisam de uma cura, e que ela é o amor.

                Parafraseando agora uma letra da banda Oficina G3, (Mas) se todos vivessem o amor como Deus o criou? O amor que não guarda rancor, que tudo espera e suporta a dor? Se não houver amor não vale a pena viver, o verdadeiro amor só vive quem anda com Deus. Ah, o amor; o amor como Deus o criou! Esse sim é a cura para todo o mal. Ah se todos vivessem esse amor?! Com certeza a raça estaria em processo de cura e não de destruição, de individualização, de inversão de valores.
                    Porém existe uma esperança! E como diriam os nossos amigos da banda Palavrantiga: "nunca é tarde demais, não!". Nunca é tarde demais pra descobrir o amor que vai além dos  versos feitos por poetas. O amor que nos faz um. É o amor que cura. O amor que se revela a nós como uma bandeira,  como a velha bandeira da vida.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Continuar como faziam há tanto tempo?

Zc 7: 1-5

  No versículo três, na parte “b”, os representantes do povo de Betel perguntaram aos sacerdotes do templo do Senhor: “Devemos lamentar e jejuar no quinto mês, como já estamos fazendo há tantos anos?”. Então o Senhor dos exércitos falou: “Pergunte a todo povo e aos sacerdotes: Quando vocês jejuaram no quinto e no sétimo meses durante os últimos setenta anos, foi de fato pra mim que jejuaram?” (Zc 7: 5).
                Quando li este capítulo de Zacarias a primeira coisa que me chamou a atenção foi a pergunta dos representantes do povo de Betel, Sarezer e Regém-Meleque com seus homens, se era para o povo continuar clamando e orando como faziam há tantos anos. E a fala do Senhor foi mais interessante ainda; Ele responde perguntando “foi de fato para mim que jejuaram?”.
                Essa pequena passagem só ilustra como perdemos o foco principal da busca ao Senhor e a transformamos em mera formalidade. Com o passar do tempo as nossas orações, consagrações, jejuns, votos tornam-se tão repetitivos que muitas vezes esquecemos-nos de expressar a nossa sinceridade. A forma, o modelo se torna tão presente na nossa busca ao Senhor que muitas vezes nem percebemos, mas acabamos por buscar tudo, menos Deus. Como citado no texto, há setenta anos o povo jejuava e clamava, pensando fazer isso para o Senhor; mas que na verdade eles faziam por mera formalidade, por puro ato de religiosidade. Perderam o foco com o passar do tempo, se basearam apenas em um modelo, em uma forma. Que já se tornara vazia, sem valor algum para o Senhor.
                Um dos meus maiores medos é o de me tornar tão religioso a ponto de transformar a minha busca por Deus em uma mera formalidade. Sou tão religioso quanto qualquer um, mas no que diz respeito à busca por Deus eu tomo bastante cuidado para não cair em uma forma, em um modelo que só esse é que me leva/levará pra perto do Pai. Conheço pessoas que só adoram a Deus com canções de um determinado cantor, de um determinado grupo - pois este é a trilha sonora da vida dele -, que só ora de joelhos, que só jejua às sextas-feiras, etc. Às vezes, tomamos essas atitudes até inconscientemente, pois algumas delas foram respondidas em determinadas situações e acabamos por associar a resposta de Deus àquele modelo.
                O que importa é a sinceridade, a adoração verdadeira; não importa quanto tempo a gente já orou ou quanto tempo a gente passa orando, se essa oração é religiosa. Esse foi o erro do povo betelino, clamavam todo quinto e sétimo meses há setenta anos; mas se esqueceram de “algo”. Do “algo” mais importante! O povo tornou aquele hábito, que seria uma forma de chegar perto do Senhor, em uma formalidade. Com o passar do tempo se esqueceram que jejuavam ao Senhor. Muitas vezes nós fazemos o mesmo. Enquadramo-nos em um modelo, e, muitas vezes, dizemos apenas palavras vazias.
                Será se a forma que você está buscando a Deus não está caminhando pra uma mera formalidade?  Pense nisso.

sábado, 14 de janeiro de 2012

É senão uma gota


               Tinha acabado de assistir Dr. House, minha série preferida; mudei a função do televisor para de AV para TV. Zapeando-a, parei na MTV, em um show de uma banda de rock que eu não conheço; a arena, o local do show estava lotado, umas oitenta, cem mil pessoas. Olhei a multidão vibrando muito com a apresentação da banda, dei uma sacada no som – que não me agradou, e lembrei-me de um sonho de menino.
                Logo que comecei freqüentar a igreja evangélica aprendi a tocar; e a maioria dos músicos sonha em tocar, se apresentar para um grande público. Quem é músico, sabe do que estou falando. Os motivos são vários: talvez pelo reconhecimento, pelos holofotes, para levar a palavra de Deus às multidões. O motivo não é relevante agora, o que importa é o sonho em si. Todo músico sonha em mostrar  sua arte para multidões. Quando parei ali, em frente ao televisor, veio-me esse sonho e logo em seguida, à minha memória, uma frase que escutara a menos de uma semana atrás: “Não adianta nada ministrar para uma multidão e não ter a unção. Muitos são os que se apresentam a grandes públicos, mas não têm Deus. E, vocês, têm Deus. Não percam isso. Essa é a diferença.”. Essa frase foi dita por um pastor e ele se referiu ao ministério que eu faço parte. E essa frase me lembrou uma citação da Madre Teresa de Calcutá “O que eu faço, é senão uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano será menor.”


                Grandes públicos para quê se o que vai marcar é o agir de Deus, e o agir dEle não está relacionado de forma alguma ao número de pessoas. O meu sonho de menino não importa! Se for para Deus estar ao meu lado em cada ministração, o número de pessoas é irrelevante. Se for para eu ministrar em um evento com milhares de pessoas em detrimento do agir de Deus, estou fora. Eu nunca quero ministrar se Deus não agir. Cada dia que passa fico mais convencido de que caminho com um ministério que ficará às margens dos holofotes. E que assim o seja!  Mesmo que em cada ministração, que em cada mover Deus marque apenas uma pessoa; mas se essa pessoa for verdadeiramente transformada, terá valido a pena. E, mesmo que pareça que eu esteja fazendo apenas uma gota, o oceano será menor sem ela. 

sábado, 31 de dezembro de 2011

Feliz ano novo!

Sei lá... tem dias que a gente olha pra si e se pergunta se é mesmo isso aí que a gente achou que ia ser quando a gente crescer...”
                Como diz o poeta sabiamente, é isso mesmo que eu quero pra minha vida? Estou fazendo aquilo que sonhara quando mais novo, quando me dei conta da minha existência, quando resolvi dá sentido para minha vida?
                A vida é feita de circunstâncias que nos obrigam a fazer escolhas que acabam nos levando para perto ou para longe dos nossos sonhos. Escolhas que são tomadas para nos trazer um conforto, muitas vezes imediato; mas que não nos trarão, lá na frente, uma satisfação plena.
                “... E se pergunta se anda feliz com o rumo que a vida tomou no trabalho e no amor...”
                Esse trecho retrata o tipo de pessoa que fez uma escolha (ou escolhas) que a afastou daquilo que ela realmente gostaria de fazer. “Se pergunta se anda feliz”, andar feliz, estar feliz; mas o que é felicidade? Seria bem-estar? Seria a realização daquilo que sempre buscamos para nossas vidas? Talvez... pode ser. Pra muita gente, felicidade está atrelada àquilo que dá prazer, que dá gosto em fazer, que traz tranqüilidade. Resumindo, pode-se entender que a felicidade estaria naquilo que a gente gosta em geral.  
Para fazer o que se gosta é preciso escolher fazer mesmo parecendo loucura ou achando que não dará certo. Afinal, fazer o que gosta superará qualquer dificuldade, qualquer desafio, qualquer vontade de desistir. Não pelo simples fato de realizar uma tarefa, um serviço; mas pelo fato de que ali está tudo o que sempre sonhou, tudo o que sempre quis, tudo o que sempre buscou. Ludere quae ego volo é uma frase em latim que diz “Toco o que quero.”, no sentido de fazer o que gosta. E você, faz o que gosta?!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Análise do Filme Mr. Jones

Mr. Jones (Richard Gere) é um homem impulsivo e fascinante, que atrai as pessoas com o seu encanto e a sua energia vital. No entanto, por vezes passa bruscamente desse estado de euforia para um enorme desespero. A sua psiquiatra, a Dra. Elizabeth Bowen (Lena Olin) está decidida a ajudá-lo. Mas antes que dê por isso, estará profundamente ligada a ele.
Bom, depois da sinopse oficial do filme, a história contada, como fora citada anteriormente, é a do personagem Mr. Jones (Richard Gere), que sofre de Transtorno Afetivo Bipolar. O TAB pode ser considerado uma perturbação afetiva que alterna de estados maníacos a estados depressivos. O Mr. Jones, de modo geral, é um homem bastante inteligente, culto, eloqüente. Quando se encontra na fase maníaca algumas características “recebem um ganho”; torna-se eufórico, encantador, galanteador, hiper-ativo. Consegue assim, conquistar muitas coisas ao seu redor; consegue um emprego e também sair com uma operadora de caixa de um banco; intromete-se na regência de uma peça de Beethoven, pois achou que a mesma deveria ser executada em allegro vivace(andamento mais rápido);  vale lembrar também que na fase eufórica a sua confiança é tão grande que ele põe-se a conquistar uma mulher que estava na companhia de seu parceiro sem medo de possíveis conseqüências. Não podemos deixar de citar também uma vontade que o Mr. Jones sustenta durante todo o filme, que é a de voar (isso quando está na sua fase eufórica). Nota-se que nessa fase o personagem arrisca sua vida por diversas vezes. Porém, quando se encontra na fase depressiva, Mr. Jones parece ser outra pessoa; apático, com humor deprimido, parece abalado por uma situação de perda de um relacionamento amoroso. Nessa fase o personagem demonstra toda sua fragilidade, e a idéia de “super-homem” motivado, apaixonado pela vida cai por terra. Parece ser contraditório, e até mesmo pouco provável de que esse quadro possa acontecer na vida real. Mas não, tirando é claro o romantismo da sétima arte, uma pessoa que sofre com o Transtorno Afetivo Bipolar apresenta sim, esse padrão.
Quanto à personagem de Lena Olin, a Dra. Elizabeth Bowen, é apresentada como uma das melhores especialistas da região na qual está inserida; parece ser bastante centrada, encarando com muita seriedade a sua profissão. Mas encontra-se em um estado de vulnerabilidade emocional, pois está se divorciando. Ao encontrar-se com o Mr. Jones (em sua fase eufórica), descreve-o como um homem muito interessante. Essas contigências – ela, em um estado vulnerável-emocional, e ele, em sua fase eufórica do TAB - acabaram por facilitar o envolvimento dos dois. Que para a visão romântica da coisa, esse envolvimento é até legal; mas que para a visão proposta para essa análise, que é a de um olhar enquanto acadêmico de psicologia, não é aceitável.
O envolvimento dos dois personagens acaba por prejudicar o tratamento do paciente. Já que, como a Dra. Bowen deixou ser levada por seus sentimentos, acabou prejudicando a sua escuta enquanto psiquiatra do caso Jones. Sabemos que há, por muitas vezes, identificações, ligações terapeuta-cliente; e o terapeuta sabe que qualquer tipo de ligação (no sentido de não saber separar, de tomar partido por alguma experiência)  com o cliente prejudica o tratamento em questão. A grande crítica ao filme é justamente a conduta inadequada que Elizabeth tem com o Mr. Jones.  Ao envolver-se com o cliente a doutora tem uma perda significativa na eficiência das suas intervenções; motra-se bastante interessada e acaba sendo invasiva em relação à vida pessoal do Mr. Jones. Ela faz intervenções tendenciosas – em uma das sessões Elizabeth pergunta sobre Ellen (ex-amor de Mr.Jones) - e de pouco proveito para o paciente. No desenrolar da história o interesse amoroso aumenta enquanto que o interesse em tratar o transtorno do paciente parece diminuir; o que culmina na consumação da relação amorosa dos dois. Quebrando assim, o que seria “uma das maiores regras” que envolve a psicoterapia: envolver-se com um paciente.
Enquanto espectadores de um romance, torcemos para o “típico final feliz” existir, porém ao analisarmos com o olhar da ética profissional torcemos para que Elizabeth consiga resistir aos encantos do Mr. Jones, manter-se firme no tratamento e conseguir a estabilidade do caso. Um final que também seria feliz e se encaixaria melhor na realidade em que estamos inseridos.