segunda-feira, 11 de abril de 2016

Geração Líquida Moderna Vs. Propósito Divino Eterno

Não é de hoje que se sabe que vivemos em uma sociedade em que existe a perda dos valores, parece que não existe mais um norte a ser tomado, não existem mais regras a serem seguidas, cada um parece inventar, criar e seguir sua própria regra.

Isso é o que o sociólogo polonês Zygmund Bauman chama de um mundo líquido moderno, i.e., assim como um líquido, ele jamais se imobiliza nem conserva sua forma por muito tempo. Quase tudo no nosso mundo está sempre em mudança. O que parece correto hoje, amanhã já será fútil e incorreto.

Diante desse quadro que nos é apresentado, fico imaginando e entendendo o porquê da dificuldade que a atual igreja, principalmente aqueles que estão em mais contato com essa liquidez, enfrentam. Dificuldade em qual sentido?

Do outro lado da balança coloco o propósito eterno estabelecido por Deus para cada um que acredita nele. Um propósito, predeterminado segundo a boa, perfeita e agradável vontade dele, que não muda, algo bem sólido, que vai de encontro a essa liquidez moderna.

Tudo muda muito rápido, as tendências, as estratégias de crescimento, de se fazer igreja, de atrair pessoas para o culto. A linguagem se transforma. E nós, enquanto igreja, ficamos diante disso, ao que me parece, perdidos! Pois muitas vezes temos ido atrás da liquidez em vez de ir atrás da solidez, que é Cristo, a rocha.


Por que esperar vários anos até que o processo se cumpra e a vontade se estabeleça se eu posso me adequar à novas tendências, fazer coisas e obter resultados até melhores do que se eu esperasse por aquilo que não muda?!

Essa é uma grande problemática a qual devemos estar atentos para não negociarmos o nosso propósito eterno. Que você não se deixe ser levado pelo balanço da liquidez, mas esteja firme na rocha!

O que aprendi com o profeta Natã?

A história do profeta Natã é encontrada nos livros de I e II de Crônicas. Ele viveu no mesmo tempo em que reinou Davi e depois seu filho Salomão. Foi a este profeta que Davi contou a vontade de edificar o templo de Deus e também por meio dele Deus falou que não seria através de Davi, mas sim por meio de um de seus filhos. Este também foi o profeta que confrontou Davi em seu pecado, além de ter criado Salomão.




Natã foi um homem que deve ter influenciado várias pessoas, porém as mais conhecidas são os reis Davi e Salomão. O profeta confrontou um pecado (2 Sm 12:7) e teve a oportunidade de criar um “amado do Eterno” (2 Sm 12:25). Então, o que eu aprendo com o profeta Natã?

Quando eu tenho um pecado confrontado por Deus, e me posiciono com o arrependimento como Davi o fez, Deus me dá a oportunidade de dar vida a um filho, que será amado por Ele e que irá construir um templo para a adoração do Deus vivo.

Filho e templo aqui, não literais, mas um filho no sentido de uma mensagem (um propósito de vida, uma obra) e um templo no sentido de um altar. Duas coisas que todo cristão deveria levar consigo: uma mensagem e um altar. Só consigo compreender a mensagem que Deus tem pra mim quando me arrependo, troco as minhas vestes (2 Sm 12:20) e mudo a minha mentalidade. Só construo um altar para Deus quando a minha vida passa queimar pela a mensagem que carrego.


Isso é o que devemos aprender com o profeta Natã, a correção de um pecado gerará uma mensagem, pois na área em que você se acha mais fraco é justamente a área que Deus vai te tornar mais forte. E nessa área que Deus tornará forte, você levantará um altar de adoração a Ele. Os altares são móveis, nós somos os altares, logo aonde quer que formos esse altar estará sendo queimado e estará à mostra para que possamos influenciar outras pessoas. 

terça-feira, 15 de março de 2016

Marketing Existencial por Luiz Felipe Pondé

Vivemos na era do marketing. Hoje, vou apresentar para você um novo conceito, o conceito de "marketing existencial".
Marketing como paradigma se coloca ao lado daqueles que, desde a Grécia, como os sofistas, defendiam, contra Platão, que "ser é parecer ser". Portanto, toda nossa conversa hoje pressupõe que você entendeu que em momento algum estamos discutindo "o ser em si" das coisas, mas o modo como elas "parecem ser" no mundo de pessoas em busca de sentido.
Aqui, mesmo a busca da metafísica é uma busca por um bem que faça bem ao "eu" consumidor.
Em breve as ciências humanas trabalharão a maior parte do tempo para o marketing -afora as igrejinhas nos departamentos de ciências humanas por aí. Isso porque a relação do sujeito com o mundo está, a cada dia, mais "commoditizada". Até Jesus é uma commodity.
A principal commodity no marketing existencial é o "si mesmo pleno de si". Daí "existencial" no nome.
O conceito de "existência" nasce com o pensador dinamarquês Soren Kierkegaard, no século 19, pai da filosofia mais tarde conhecida como existencialismo.
A "assinatura" do existencialismo é "a existência precede a essência", ou seja, antes de termos algum significado que nos defina e oriente, somos um "existente jogado no mundo", como pedras, árvores e animais. A diferença é que nós temos consciência, e aí vamos em busca da essência.
Kierkegaard dizia que isso nos faz descobrir que somos "feitos" de angústia. Angústia pelo infinito de possibilidades de um ser que é "apenas" um existente.
Não é longe dessa ideia que Sartre, já no século 20, dirá que somos "condenados à liberdade": pouco importa o que façamos porque tudo tem zero de significado em si.
Vivemos num mundo de existentes em busca de sua "essência", pautados pela lógica do mercado de bens invisíveis.
Vou usar a palavra "existente" pra ficar no domínio do termo, mas você pode trocar por "pessoa" ou "indivíduo" que está valendo.
Como exemplo de bens invisíveis podemos dar liberdade, autonomia, saúde/bem-estar, autoestima, gozo, sentido, ousadia, experiência. Todos podem ser resumidos no conceito de comportamento.
A consequência é que o marketing (acima da política, essa "arte velha") já percebeu que fazemos qualquer negócio (mesmo os que mentem) pra aliviar o vazio desse "existente abandonado no mundo".
O marketing existencial é uma ferramenta, não um conteúdo. O conteúdo pode ser "profundo" como um retiro espiritual no Tibete ou superficial e brega como Orlando.
Pode ser ágil como uma bike num parque ou lento e "coletivo" como escolher o ônibus como opção "existencial". Pode ser barulhento como uma igreja pentecostal ou silencioso como um mosteiro no Monte Athos na Grécia. No foco, o "si mesmo" em busca de sentido.
Algo de muito interessante nesse universo é que a oposição não é entre "profundo" e "superficial", mas entre bens de sentido de luxo e de massa. No mundo do marketing existencial, um consumidor sofisticado é aquele que tende ao invisível, enquanto o consumidor banal é aquele que busca, babando, a visibilidade.
Por isso, em nosso mundo dos conectados, nada mais banal do que defender a conexão, nada mais elegante do que desprezá-la. Quem despreza as redes sociais passa um atestado de consistência existencial porque não "precisa de ninguém".
Comportamento de luxo só é visível pela ação, e não pela ostentação. Muito mais elegante para um existente é parecer dono do seu tempo e andar sem "roupa chique" no shopping do que sonhar em ser Prada quando a alma é da rua 25 de Março.
Felicidade é, evidentemente, um bem invisível, mas relacioná-la a uma mala cheia vinda de Miami caracteriza um existente pobre de espírito. Existente de luxo não compra nada.
Claro, porque ele tem quase tudo ou porque tem uma experiência de autossignificado tão potente que comprar soa coisa "para os fracos".
O marketing existencial de luxo é a "commoditização" definitiva do romantismo e seu desprezo pela modernidade burguesa e mercantilista. Os filósofos definitivos para esse consumidor de luxo são Spinoza e Nietzsche.
ponde.folha@uol.com.br
@l_fponde

quarta-feira, 9 de março de 2016

Que é a música?


A música é – de modo incomparável no seu gênero e na sua ambivalência – imagem do cosmos e quinta essência da representação da paixão humana, voz angélica em louvor de Deus e instrumento do demônio, promotora e destruidora do bem e do mal. Como nenhuma outra arte, ela pode sarar e consolar, embelezar e exaltar, estimular e pacificar, seduzir e fortificar. Sendo existencial neste sentido, consegue obter em grau máximo o efeito geral da arte: atrair a si e ao seu mundo. – um outro mundo – o homem na sua esfera existencial. (Hans Eggebrecht e Carl Dahlhaus – Que é a música?)

A música é considerada por diversos autores como uma prática cultural e humana. A música é uma forma de expressão do homem. Todo homem pode expressar-se através da música, seja criando ou reproduzindo. Pois, como bem disse Eggebrecht e Dahlhaus, representa a emoção humana.

Partindo desse pressuposto desejo levantar no decorrer dos nossos momentos reflexões acerca de homens que buscaram expressar suas inquietudes existenciais. Mais do que conceituar, segmentalizar, ou catagolar, procurarei analisar a angústia humana na sua busca pelo divino.

Nos evangelhos de Mateus e Marcos, é relatado que o Mestre de Nazaré e seus discípulos cantaram um hino após a ceia. Esse é o único relato de Cristo cantando, ele estava expressando as suas emoções, pois havia chegado o momento de sua crucificação. Segundo a tradição os hinos que eles cantaram são os chamados “salmos do Hallel”(hallel significa louvor), que segundo o comentário bíblico Moody, seriam os Salmos 105-118, cuja recitação encerrava a ceia. 


Durante a semana que você possa refletir em cima desses Salmos e tentar imaginar qual deles Jesus cantou antes de ir para o monte das oliveiras. Eu creio que ele cantou o Salmo 116 e você?

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O sétimo dia é uma mentalidade

Hoje iniciarei um estudo sobre o sétimo dia, o dia em que o criador descansou e tentarei trazer um entendimento acerca do significado desse descanso e por que esse dia foi abençoado e santificado por Deus.

No sétimo dia Deus já havia concluído a obra que realizara e nesse dia Ele descansou. Deus, o criador, descansa no sétimo dia. O criador aprecia toda a perfeição da sua criação, pois descansar significa deleitar. Deus pausa tudo e contempla a sua obra perfeita. Ele está dizendo para toda a sua criação: “Olha só o que eu criei, tudo isso ao seu redor foi obra minha. Hoje é o sétimo dia e estou aqui usufruindo dessa presença.”

O criador descansou no sétimo dia e isso não significa que Ele tirou uma folga para a recuperação de suas forças físicas e mentais exauridas durante o trabalho, pois Deus não se cansa como diz o profeta (Is 40:28). Mas o cessar das suas atividades foi para o gozo da alegria decorrente da conclusão de uma obra. A obra era perfeita, pois não havia pecado nem corrupção. Este é o cenário do sétimo dia: Deus repousando. Descansar ou Repousar significa “estar colocado” ou “estar estabelecido em”. Deus descansou, ou seja, Ele se colocou na criação. Sua presença agora era presente. A presença constante de Deus sobre a criação é que significa esse descanso.

O sétimo dia é especial, pois toda criação toma conhecimento da presença do seu criador. A revelação é progressiva. Todas as coisas foram sendo criadas e tomando as suas funções dentro da obra completa da criação, mas ainda não havia a plenitude. E esta chegou apenas quando o criador descansou, ou seja, quando o Pai derramou a sua presença, abençoou e santificou o sétimo dia. 

A revelação é progressiva, a cada novo dia Deus ia adicionando elementos na criação e o último elemento adicionado foi a sua presença sobre a obra no sétimo dia, por isso Deus abençoou-o e santificou-o. Este é o princípio do dia sétimo dia, a realidade da presença de Deus. Só aquilo em que o Senhor repousa é santo. Deus estava nos ensinando que é a partir da sua presença.

Existem várias passagens que encorajam os filhos de Israel a guardarem o sétimo dia.  No livro do profeta Isaías no capítulo 58 Deus está exortando sobre o verdadeiro jejum. O povo estava separando apenas um dia, humilhando-se, inclinando a cabeça como o junco e deleitando-se sobre pano de saco e terminado esse dia de separação voltava-se as práticas das mesmas maldades e impiedades de antes. Nenhuma observância religiosa tem valor para Jeová se não for apoiada por uma vida piedosa. Não bastava apenas restringir a um ato a tentativa de consagração, aproximação, reconciliação ou deleite em relação a Deus.

Deus exorta o povo a deixar de seguir o seu próprio caminho e honrar o sábado. “Caminho” refere-se às ações e ao comportamento do homem, ou seja, é um modo-de-ser. Deus está dizendo que honrar o sábado não é um rito – conjunto de cerimônias praticadas em uma religião -, mas uma mentalidade – maneira de pensar ou estado de espírito. Logo, se é uma mentalidade, não está associada a fatores externos, mas está conectada a fatores internos. O rito se limita a locais e materiais enquanto que a mentalidade se apoia a presença e a transcendência.
            
Rito significa um conjunto de cerimônias praticadas em uma religião. Ao passo que mentalidade significa maneira de pensar ou estado de espírito. Logo o rito se restringe a locais (casa, templo, galpão) e materiais (vela, pão, taça, vinho), enquanto que a mentalidade está ligada a fatores internos e independe dos limites físicos relacionados à estrutura.

Por isso Cristo diz: “Eu sou o Senhor do sábado”. Ele mostrou aos fariseus que a vida é mais importante que o preceito. O estar nele, como cita o apóstolo João no seu evangelho no capítulo quinze, o permanecer em Cristo, é o modo-de-ser que devemos seguir.

O shabbat ou o entendimento sobre o sétimo dia nada mais é que o prazer de Deus e o desfrutar de quem se achega até Ele. Quem faz disso um rito, não entendeu o Cristo e ainda vive sob o prisma de Moisés. Yeshua sabia que o shabbat fora dado ao homem para que o homem encontrasse no Shabbat (presença), a alegria, a liberdade, o refrigério da alma, a cura; e essa presença não deve ser condicionada apenas a ritos, mas ao viver do homem em todas as suas circunstâncias.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Até aqui me ajudou o Senhor

No final de 2014 orei ao Senhor pedindo uma palavra que pudesse me guiar na caminhada do ano de 2015. Ele me falou: 'Profundidade'. Por uma ansiedade ou falta de entendimento compreendi que essa profundidade a qual Deus se referia seria a respeito de um amadurecimento no entendimento das escrituras, ou seja, pensei que Deus fosse me levar mais profundo na revelação da sua palavra e assim poderia fazer mais coisas a serviço Dele.

Com o decorrer do ano, algumas coisas aconteceram, e como diz Schaeffer, “devemos estar dispostos a dizer ‘não’ a nós mesmos, a certas coisas, a fim de que o mandamento de amar a Deus e aos homens possa ter o seu verdadeiro sentido. Até em coisas que me são lícitas, que não quebram os dez mandamentos”.

Hoje, no último mês do ano, entendo que a profundidade que Deus queria que eu caminhasse não era no sentido de me levar mais profundo na revelação para fazer mais coisas para Ele, mas me levar mais profundo para estar nEle, e ser conhecido por Ele.

O que importa no final não é o quanto eu fiz, mas o quanto Ele me conhece (Mt 7:22 e 23). Porque a vida eterna é esta: que conheçam a Ti, disse Jesus. Até aqui me ajudou o Senhor a entender que Ele deseja apenas o meu coração.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Encontro Inesperado

Saulo, ainda respirava ameaças de morte contra as pessoas Do Caminho. Em mais uma de suas viagens corriqueiras, Saulo e sua caravana caem na estrada. No caminho, quando ele se aproximava de Damasco, algo aconteceu. A história narrada por Lucas diz que “de repente” uma luz vinda do céu o envolveu.

De repente, subitamente, inesperadamente, a luz surgiu. O susto de Saulo foi tão grande que ele caiu no chão. Um encontro inesperado. Saulo, no meio de suas atividades, de sua rotina, de seus eventos de perseguições; e Cristo resolve aparecer de surpresa.

Muitas vezes temos encontros inesperados com pessoas que podemos transformar. Porém o mais profundo é quando somos transformados por pessoas que encontramos de forma súbita. No decorrer da vida, de atividades, de preocupações, basta um encontro e pronto! Todo o dia é transformado.

Saulo havia transformado várias histórias de vida, mas ainda não havia encontrado ninguém que o transformasse. Cristo, com a sua humanidade, encontrou Saulo e o transformou no seu profundo que até a sua identidade foi transformada.

O homem tem essa possibilidade nos encontros com outras pessoas. O outro me transforma à medida que me toca, à medida que percebo a sua humanidade. Isso é a beleza do inesperado. O inesperado esbarra em duas pessoas desarmadas, sem a preocupação de porventura vestirem-se com uma capa.


Como diz o filósofo Martin Buber: “O ser humano se torna eu pela relação com o você, à medida que me torno eu, digo você. Todo viver real é encontro”. 

Encontre alguém inesperadamente! Viva realmente!