terça-feira, 6 de maio de 2014

Livra-nos do Mal

“Pai Nosso[...], mas livra-nos do Maligno”

                A oração do Pai Nosso está intimamente ligada à pessoa de Jesus, que foi quem realizou a mesma. O nazareno possuiu um modo-de-ser singular; ele propôs a transformação do ser. O Cristo trouxe um novo jugo, um novo olhar sobre a lei de Moisés.
                O mestre ensinou seus discípulos a amar, ensinou a perdoar, a dar a outra face. Ensinou que o reino é de dentro para fora, a ser tardio para se irar. Antes do mestre a lei condenava a pessoa que praticava um ato que desobedecesse a mesma; depois dele o pensar sobre o ato já afasta a pessoa do Eterno. Agora, não bastava mais apenas não fazer o ato, era preciso não querer fazer.
                O jugo de Jesus é revolucionário, pois a proposta dele é muito profunda! É realmente a proposta de um novo modo-de-ser. As palavras de Jesus foram corroboradas por suas atitudes, ao contrário de Adão, que tomou para si as rédeas de sua existência, Jesus decidiu existir sobre a total dependência do Eterno. Enquanto o primeiro Adão não entendeu o propósito da sua vida, o segundo Adão encontrou a sua causa. O primeiro Adão encontrou-se no seu egocentrismo; o segundo Adão negou-se a si mesmo. O primeiro Adão matou todos nós; o segundo Adão salvou todos nós.
                As atitudes do nazareno mudaram a história, ele entendeu o seu propósito, compreendeu o seu existir. O modo-de-ser de Jesus, o Cristo, é o existencialismo do segundo Adão é a manifestação autêntica do projeto do Eterno para a humanidade.
                Ora, se existe um modo-de-ser autêntico, existe um inautêntico. E foi por isso que o nazareno orou ao Eterno pedindo para Ele nos livrar do Maligno, nos livrar da síndrome do primeiro Adão e querer tomar para si a prerrogativa da existência. Esse é o modo-de-ser inautêntico. O ser fechar-se no seu egocentrismo e deixar de ser.  O ser querer ser independente do Eterno e morrer.
                Jesus, ao orar “livra-nos do Maligno” pediu ao Eterno que nos protegesse de todo modo-de-ser inautêntico, de tudo aquilo que impede o nosso acesso ao propósito de levantar a bandeira Reino do Amor e fazê-la tremular no porto de cada pessoa.


“Pai Nosso[...], livra-nos do modo-de-ser inautêntico”

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