“Pai Nosso[...], mas livra-nos do Maligno”
A
oração do Pai Nosso está intimamente ligada à pessoa de Jesus, que foi quem
realizou a mesma. O nazareno possuiu um modo-de-ser singular; ele propôs a
transformação do ser. O Cristo trouxe um novo jugo, um novo olhar sobre a lei
de Moisés.
O
mestre ensinou seus discípulos a amar, ensinou a perdoar, a dar a outra face.
Ensinou que o reino é de dentro para fora, a ser tardio para se irar. Antes do
mestre a lei condenava a pessoa que praticava um ato que desobedecesse a mesma;
depois dele o pensar sobre o ato já afasta a pessoa do Eterno. Agora, não bastava
mais apenas não fazer o ato, era preciso não querer fazer.
O
jugo de Jesus é revolucionário, pois a proposta dele é muito profunda! É
realmente a proposta de um novo modo-de-ser. As palavras de Jesus foram
corroboradas por suas atitudes, ao contrário de Adão, que tomou para si as
rédeas de sua existência, Jesus decidiu existir sobre a total dependência do
Eterno. Enquanto o primeiro Adão não entendeu o propósito da sua vida, o
segundo Adão encontrou a sua causa. O primeiro Adão encontrou-se no seu egocentrismo;
o segundo Adão negou-se a si mesmo. O primeiro Adão matou todos nós; o segundo
Adão salvou todos nós.
As
atitudes do nazareno mudaram a história, ele entendeu o seu propósito,
compreendeu o seu existir. O modo-de-ser de Jesus, o Cristo, é o existencialismo
do segundo Adão é a manifestação autêntica do projeto do Eterno para a
humanidade.
Ora,
se existe um modo-de-ser autêntico, existe um inautêntico. E foi por isso que o
nazareno orou ao Eterno pedindo para Ele nos livrar do Maligno, nos livrar da
síndrome do primeiro Adão e querer tomar para si a prerrogativa da existência.
Esse é o modo-de-ser inautêntico. O ser fechar-se no seu egocentrismo e deixar
de ser. O ser querer ser independente do
Eterno e morrer.
Jesus,
ao orar “livra-nos do Maligno” pediu
ao Eterno que nos protegesse de todo modo-de-ser inautêntico, de tudo aquilo
que impede o nosso acesso ao propósito de levantar a bandeira Reino do Amor e
fazê-la tremular no porto de cada pessoa.
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