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sábado, 18 de abril de 2015

O remendo de pano novo em roupa velha - Roupa Nova

“E lhes acrescentou esta parábola para pensar: ‘Ninguém tira um remendo de roupa nova e costura sobre roupa velha; se o fizer, certamente estragará a roupa nova; e, além disso, o remendo novo jamais se ajustará à velha roupa’” (Lc 5:36)
            
Era comum na Palestina o uso de roupas remendadas, pois o povo era pobre e Jesus sabia que se um pano novo fosse costurado sobre roupa velha estragaria esta. Pois o pano novo encolhe quando lavado, e rasga o velho que por consequência é mais frágil.

Roupa e velha e nova, assim Jesus ilustra essa parábola. Vestes velhas e vestes novas. Costumes velhos e costumes novos.

Tem-se um problema na parábola: consertar ou remendar um pano velho. Jesus faz uma reflexão acerca de uma possível solução: cobrir o pano velho com um pedaço de pano novo.
        
Porém essa possível solução não possui o fim desejado ou apropriado e Jesus conclui isso, por isso ele diz que o remendo de uma veste nova não se ajustará à velha.

Então, qual seria a solução para o problema das vestes velhas? Se esse problema não é resolvido apenas com um remendo novo, o que se faz necessário para resolvê-lo?
          

  “Quando, no entanto, chegar o que é perfeito, o que é imperfeito será extinto.” (1 Co 13:10)

Jesus lançou o desafio a quem o ouvia: resolvam essa charada. Como resolver a problemática sobre as vestes velhas?

Jesus estava falando em trocar as vestes velhas por vestes novas, e não apenas remendar as velhas. Isso fala da totalidade do tratamento e apenas de pedaços ou pequenos vislumbres do poder de Deus.

Muitas pessoas estagnam em pequenos vislumbres ou pequenas transformações em seu caráter durante a caminhada com Cristo. Mas este não é o desejo dele. Ele quer a disponibilidade total para tirar a veste velha e colocar uma nova veste, pois quando o que é perfeito chegar, tudo o que for imperfeito sairá.

Jesus não estava querendo realizar apenas um pequeno ajuste na vida das pessoas, mas o mestre de Nazaré queria transformar toda uma forma de existir das pessoas.

É preciso repensar todo o modo de viver, e essa foi a lição que Jesus passou para os seus ouvintes. Ora, quem faz apenas um remendo? Ora, quem quer apenas um vislumbre do meu poder? Ora, quem deseja continuar com o imperfeito?

terça-feira, 7 de abril de 2015

As ervas daninhas – frutos

“Ele explicou: O agricultor que tem a semente pura é o Filho do Homem. O campo é o mundo, as sementes verdadeiras são os súditos do Reino, as ervas daninhas são os súditos do Diabo e o inimigo que as semeia é o próprio Diabo. A colheita é o fim dos tempos, o desfecho da história. Os ceifeiros são os anjos.
A cena em que as ervas daninhas são enfaixadas e queimadas faz parte do último ato. O Filho do Homem enviará seus anjos, arrancará as ervas daninhas de seu Reino e as jogará no lixo. Será o fim delas. Ainda tentarão reclamar com o céu, mas ninguém as escutará. Ao mesmo tempo, as vidas prontas, santas e maduras irão adornar o Reino do Pai.” (Mt 13:37-43 – A Mensagem)


 Na parábola do trigo e do joio Jesus faz uma narrativa a respeito do dia do juízo final, o desfecho da história. Nesse dia, dois tipos de pessoas serão separados: os filhos do Reino e os filhos do Maligno. Aqueles que são justos serão separados daqueles que praticam o mal.

O contexto não é apenas para “as igrejas”, existem várias interpretações que relatam que dentro da igreja existem esses dois tipos de pessoas. Porém, Jesus nunca utilizou o conceito de igreja como é utilizado nos dias de hoje, a saber, como instituição. Então na parábola Jesus fala a respeito do mundo, este é o campo e nele há boa semente e o joio.

O trigo e o joio, quando crescem juntos são muito difíceis de distinguir. Participam do processo de desenvolvimento juntos e só é possível saber a diferença quando aparecem as espigas, nelas que se encontram os seus frutos ou grãos.

A boa semente é diferente da semente do joio por causa dos seus frutos, por isso elas serão separadas no dia do juízo. Por suas práticas, aqueles que praticam o mal serão separados e queimados na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes.

            Quais têm sido os teus frutos? O que você tem praticado? Você é a boa semente, um filho do Reino ou você é o joio, um filho do Maligno?

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Armário

A minha utilidade é guardar segredos,
Anseios, desejos, sonhos, esperança.
Mas é preciso saber me utilizar visto que
Com o passar do tempo atinjo
Minha capacidade limite.
Isso mostra Que
Ninguém pode guardar tudo.
É preciso saber o que depositar.
Tenho espaço para
Coisas boas e más.
Porém, quem toma conta de mim
É quem decide essa questão.
Eu, particularmente, prefiro as boas...
Prefiro enclausurar a carta de
Uma declaração amorosa.
Prefiro esconder aquele presente surpresa
Que será entregue à pessoa amada.
Prefiro acomodar o frasco do perfume preferido.
Prefiro unir os pequenos brincos perdidos outrora.
Prefiro isso: guardar o valor.
Tenho a capacidade de
Entesourar momentos, coisas e
Transformar o material no imaterial.
Consigo confinar memórias.
Consigo abrigar amores.


domingo, 17 de fevereiro de 2013

Queimado pelo papel





O homem é um lápis. A existência, um livro em branco. O lápis risca as páginas em branco do livro da existência e vai gastando-se. É no riscar do lápis que se constrói uma história. O lápis vai diminuindo de tamanho com o passar das linhas escritas. A vida do homem vai passando, seus dias vão terminando. Assim como o lápis, que vai riscando um papel, que está sendo queimado pelo papel em branco do livro. E com o decorrer do tempo o lápis olha de si para si e enxerga que já não é mais novinho e folha; pelo contrário, já está gasto, chegando ao fim de sua vida útil. O lápis gasto olha para o lápis novo, observa-o em todo o seu potencial e se lembra de que o seu fim está próximo. Porém não sente inveja do lápis novo, pois ele – o novo - ainda não riscou nada; ainda não escreveu nenhuma linha, nenhuma história, não criou nenhum desenho, nenhum rabisco sequer. O lápis novo ainda nada deixou para o mundo. O lápis gasto, no fim de sua existência já construiu uma história; uma história que ficará no e para o mundo. O lápis gasto é assim como o homem que chega ao final de sua existência. O homem escreve a sua história, realiza possibilidades, constrói uma obra. Que história você deixará para a humanidade ler?!

quarta-feira, 14 de março de 2012

Indulgências e Bençãos

            No século XVI um grande escândalo provocou uma revolta dentro da igreja cristã. Essa revolta ficou conhecida como Reforma; e foi encabeçada por Martinho Lutero que estava insatisfeito com a forma de a igreja conduzir algumas questões. O ponto-chave que fez eclodir a Reforma foi a venda das indulgências. Nos dias atuais a igreja brasileira tem vendido, o que eu chamo de “novas indulgências”. Será que teremos uma nova reforma?
             Todos sabem que a igreja, a partir do momento em que fora incorporada ao império romano no séc. III por Constantino, tornou-se ao longo dos séculos uma instituição muito poderosa. E é válido lembrar: o poder em detrimento da pureza doutrinária e do objetivo real da igreja. Em meados do século XVI a igreja tinha influência sobre todas as áreas possíveis da sociedade da época, desde a educação até a política. Porém esse poder foi conseguido pela corrupção das autoridades religiosas da época. A decadência moral foi se instalando devido a queda do império romano que trouxe a descentralização do poder e a consolidação do feudalismo, onde justamente a influência dos senhores feudais trouxe a decadência moral do clero.
Com o clero corrompido vieram os excessos em relação às doutrinas cristãs da época. Um desses excessos foi a venda de indulgências. Indulgência é o livramento da conseqüência de um pecado, este já perdoado. João Tetzel foi um famoso vendedor de indulgências, ele dizia que, se alguém comprasse uma indulgência para um parente falecido “no momento em que a moeda tocasse no fundo do cofre, a alma saltava do inferno e ia direto para o céu”. O motivo pelo qual as pessoas compravam essas indulgências era que elas queriam se livrar do sofrimento, queriam livrar-se do mal causado pelo desvio de sua conduta. O excesso era tão grande que as pessoas “livravam o sofrimento” até de parentes que já haviam morrido; compravam as indulgências e o morto ia direto do inferno ao céu com apenas um pulo.



E cá estamos, no começo do século XXI, uns quinhentos anos pós-reforma. Vivemos em uma sociedade capitalista, onde o individualismo tem ganhado força; sociedade que valoriza o ter em detrimento do ser. Onde a realidade da igreja, que nasceu da reforma, é preocupante, pois a igreja agora é conhecida, famosa, é amiga dos grandes sistemas que controlam o mundo; é uma igreja que também, muitas vezes tem valorizado o ter. Esse tem sido o discurso: “Venha para minha igreja que Deus te dará!”. A igreja reformada que nasceu no século XVI se corrompeu. As indulgências dos dias atuais são as bênçãos de Deus, o quanto você pode pagar será o quanto que Deus vai te abençoar. Você quer um carro, plante um carro – assim é o discurso – ou oferte uma casa para ter uma casa maior.



Do mesmo jeito que ocorrera no século XVI: com a igreja corrompida vieram os excessos. O excesso de hoje é a troca da benção pela “oferta”. Na verdade não é uma oferta, é uma compra. Eu pago, logo quero a mercadoria; seja um emprego, uma casa, um prato de comida, um carro, seja a cura de uma doença. Repare que essa troca é sempre em busca do livrar o sofrimento, assim como o povo do século XVI, comprando as indulgências faziam. O sofrimento que está escancarado nos dias de hoje é o sofrimento do não ter. Se eu não tenho uma casa, um emprego, um carro eu sou uma pessoa mal vista pela sociedade devido o sistema de valores que se estabelece nos dias atuais, sistema que valoriza o ter em detrimento do ser. Logo a igreja percebe isso e com um desvio doutrinário gritante ela oferece aquilo que a sociedade deseja. A igreja oferece o ter.
A igreja corrompida e a sua busca pelo poder, e o povo e a sua busca por fugir do sofrimento. Até quando a igreja insistirá nisso? Até quando o povo insistirá nisso?! Até o dia em que a igreja despertar e ver que não é pelo tamanho do seu poder, e sim pelo tamanho do poder de Jesus Cristo que ela se tornará vitoriosa. E até o dia em que o povo perceber que não adianta fugir do sofrimento, este é parte integrante da existência humana e o homem tem de aceitá-lo, tem de dar uma nova visão a ele, e aí sim partir para uma caminhada verdadeira com Cristo. 

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Levanto os meus olhos

“Eu olho para o céu, de onde me virá o socorro?”
                Essa citação é de uma música que eu estava escutando agora a pouco quando me veio a idéia de tentar esclarecer um pouco esse trecho da letra.
                O que leva uma pessoa a olhar para o céu?! Talvez a preocupação com a mudança climática ou, por que não, uma simples admiração da passagem de um avião que tenha chamado a sua atenção. Essas são possibilidades, mas me veio na cabeça outra situação. Sabe aquele dia em que, por qualquer motivo que seja você está com um pé atrás, com uma dúvida, com um medo de tomar uma decisão errada? Pois é, foram justamente essas situações que me vieram à cabeça.
                Lembrei que, sempre quando acontece uma situação inesperada, eu particularmente inclino minha cabeça para trás, olho para o céu, dou um longo suspiro, e penso “Oh Deus!”. Eu olho para o céu quando me sinto desconfortável, com medo, inseguro, com dúvidas. Levanto os meus olhos quando procuro por uma resposta. Eu não pergunto “de onde me virá o socorro?”, pelo menos não explicitamente. Mais é isso que procuro. Oh! E agora quem poderá me ajudar? Não, não é pelo colorado astucioso do Chapolin que eu procuro por socorro. Eu procuro é pelo Senhor!
                Quando é perguntado para as pessoas onde Deus mora, umas das respostas mais citadas é o céu; é comum fazermos essa associação. Quando procuramos por Deus geralmente olhamos para cima, esse é um hábito muito comum quando louvamos ou oramos. Olhar para o céu parece ser um simples ato, porém é muito profundo. Mostra a procura por Deus, demonstra a ânsia pelo Seu auxílio, pela presença dEle. E perguntar: “de onde me virá o socorro?” mostra a dependência pelo Pai, demonstra a segurança que se encontra n’Ele quando uma situação adversa é apresentada. Quando eu olho para alguém e faço uma pergunta eu crio uma expectativa de que essa pessoa responderá minha dúvida. Assim também ocorre quando eu olho para o céu.
Quando olho para o céu e pergunto de onde me virá o socorro na verdade estou dizendo “Deus me ajuda. Eu procuro por respostas, tira minhas dúvidas, eu preciso de Ti.”