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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Como se fosse a última vez

A hora de ir à tua casa se aproxima. Penso se tenho ido no modo automático. Ou não. Se me banho, me arrumo, me perfumo e vou à tua casa com a ideia de que esse, o dia de hoje ser, talvez, a última chance que tenho de te encontrar. Penso e vejo que a posição que tenho tomado é a do desleixo, penso que a vida ainda será longa por que hoje, ainda sou jovem (e quem disse que a duração da vida tem alguma relação com os meus poucos anos?!). 

Mas tento não me prender a isso e nego esse paradigma. Imagino que terei anos duradouros pela frente e por isso vou ao teu encontro de qualquer jeito. Penso que ainda terei várias oportunidades para ir, como se fosse a última vez e finalmente chegar o momento de aproveitar tudo o que tiver ao meu alcance. Ainda terei chances de me preparar adequadamente. Ainda conseguirei ir ao teu encontro com o coração aberto e a mente vazia. O coração aberto para te sentir. E a mente vazia para não pensar nas coisas temporais que passam diante dos meus olhos. Com o coração aberto para sentir o teu afago. Com a mente vazia das preocupações do cotidiano. Com o coração aberto, pronto para afastar todas as angústias da minha alma. Com a mente vazia para quebrar todos os sofismas. 

Ora, e se, eu soubesse que hoje fosse minha última oportunidade de te olhar, como eu iria até você? Com certeza usaria a minha melhor roupa, o meu melhor perfume, me prepararia da melhor forma, aproveitaria cada momento. Estaria diante de ti, não apenas fisicamente como o tenho feito, mas também com todo o meu entendimento, com toda minha alma e com todo o meu coração. Cada momento seria único e o levaria comigo para a eternidade. Mais ainda, e se, toda vez que, quando estivesse me arrumando para ir ao teu encontro, eu me comportasse como se essa fosse a última vez?


domingo, 17 de fevereiro de 2013

Queimado pelo papel





O homem é um lápis. A existência, um livro em branco. O lápis risca as páginas em branco do livro da existência e vai gastando-se. É no riscar do lápis que se constrói uma história. O lápis vai diminuindo de tamanho com o passar das linhas escritas. A vida do homem vai passando, seus dias vão terminando. Assim como o lápis, que vai riscando um papel, que está sendo queimado pelo papel em branco do livro. E com o decorrer do tempo o lápis olha de si para si e enxerga que já não é mais novinho e folha; pelo contrário, já está gasto, chegando ao fim de sua vida útil. O lápis gasto olha para o lápis novo, observa-o em todo o seu potencial e se lembra de que o seu fim está próximo. Porém não sente inveja do lápis novo, pois ele – o novo - ainda não riscou nada; ainda não escreveu nenhuma linha, nenhuma história, não criou nenhum desenho, nenhum rabisco sequer. O lápis novo ainda nada deixou para o mundo. O lápis gasto, no fim de sua existência já construiu uma história; uma história que ficará no e para o mundo. O lápis gasto é assim como o homem que chega ao final de sua existência. O homem escreve a sua história, realiza possibilidades, constrói uma obra. Que história você deixará para a humanidade ler?!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Tenho que ter um chão


           A psicologia é uma ciência bastante ampla, possui várias áreas teóricas assim como também várias áreas de atuações. É sabido que para atuar em qualquer área que seja é preciso ter uma fundamentação teórica sólida.
            Como todo aluno de graduação de psicologia, ao escutar o anúncio da professora de que a turma visitaria uma clínica de saúde mental fiquei curioso, pois teria a oportunidade de olhar na prática a atuação de um psicólogo; além de conhecer as políticas de uma instituição que trabalha nessa área; e também ter a chance de observar a discrepância entre teoria acadêmica e prática. No primeiro dia, um discurso longo e cansativo, porém não menos importante, sobre um pouco do funcionamento da clínica; falou-se desde o procedimento da admissão de pacientes até a liberação dos mesmos. Após esse discurso partiu-se para a parte em que um dos psicólogos da clínica apresentaria a sua contribuição dentro do funcionamento da instituição. O segundo dia começou com os estudantes assistindo a um grupo onde os pacientes são ouvidos pela equipe técnica da clínica; no outro momento discutiu-se com o psicólogo a eficiência dessa política enquanto diminuição do sofrimento dos pacientes da clínica. E no último dia, houve um contato mais demorado com alguns pacientes e a oportunidade de conhecer a história de alguns deles; logo após, uma conversa com o psicólogo sobre as nossas impressões dessas três manhãs de visitas na clínica.
Num primeiro momento é difícil ver um número assustador de pacientes e não se perguntar como é que eu, enquanto psicólogo, poderia intervir nesse local.  Essa foi a dúvida que eu carreguei durante o período de visita.



            Chão é tudo aquilo que me sustenta, não necessariamente – ou tão somente – o chão de terra ou de pedra. Jesus Cristo, a família, a música, a psicologia são o meu chão. Pois bem, como já dizia o poeta chão é tudo aquilo que me sustenta, e dentro da psicologia cada profissional tem – ou pelo menos deveria ter - um chão por onde andar; ter uma fundamentação teórica sólida. Tenho que ter um chão. Esse foi o resumo da minha experiência nos dias de visita à clínica. Dentre tantas coisas que eu pude e que observei, a que mais me chamou a atenção foi a diferença de possibilidades de atuação (no sentido mais amplo da palavra) entre um profissional que tem uma base sólida e outro que não tem uma fundamentação teórica firme. Já é de se saber que para fazer um trabalho bem feito tem que estudar e estudar bastante.  Porém os acadêmicos estudam apenas para tirar uma boa nota, para passar na cadeira; muitas vezes esquecem o real sentido da coisa. Estudar, não só para passar, mas também para ter um chão firme onde, só assim, será possível realizar um trabalho consistente. Conhecer a prática de um profissional que tem uma base sólida é apaixonante! Ver como é possível fazer aquilo que você se dispôs lá no início do curso. Ter uma fundamentação teórica sólida é essencial e isso reflete diretamente na atuação do profissional. E foi esse o observado, a competência de um colega, que tem uma base teórica sólida, como iluminação, como exemplo para quem ainda está na metade da graduação, porém no começo de uma vida junto à psicologia.
            Construir esse chão não é fácil, é desafiador! Por isso a incompetência bate à porta. Mas é justamente o que eu propus fazer, enquanto psicólogo, é que me motiva a ter algo que me sustente, que me sirva de apoio. Citando Viktor Frankl: “Isso quer dizer que ser humano significa dirigir-se além de si mesmo, para algo diferente de si mesmo, para alguma coisa ou alguém. Em outras palavras, o interesse preponderante do ser humano não é por quaisquer condições internas dele próprio, sejam elas prazer ou equilíbrio interior, mas ele é orientado para o mundo lá fora, e neste mundo procura um sentido que pudesse realizar ou uma pessoa que pudesse amar. E, com base em sua autocompreensão ontológica pré-reflexiva, tem conhecimento de que ele se autorrealiza precisamente à medida que se esquece de si próprio; e ele se esquece de si próprio novamente à mesma medida que se entrega a uma causa à qual serve, ou a uma pessoa que ama.”
              E é nessa tarefa de ajudar o outro é que eu me realizo. Mas só posso ajudar o outro de forma relevante se eu tiver um chão.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Sejam tolerantes com os que têm opiniões diferentes


           Apocalipse 3:20 “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.”

“Não é a diversidade de opiniões, algo que não pode ser evitado, mas a recusa da tolerância com os que são de opinião diferente, o que deveria ser reconhecido, que tem produzido todas as batalhas e guerras que ocorrem no mundo cristão, sob o pretexto da religião.” (John Locke)
        
          Deus é educado, como estamos careca de saber; Ele bate, e não sai invadindo. Mas mesmo assim uma das coisas que mais me chama a atenção é o fato de alguns cristãos quererem enfiar goela abaixo a sua verdade. Não estou dizendo para pararem de pregar, o que digo é que deveriam ter o respeito por quem recusa acreditar na palavra de Deus. Uma vez, na época que eu fazia o ensino médio, um amigo (metaleiro, tem aversão ao cristianismo) de turma disse: “pô Othinho, eu gosto de ti por que tu não é igual àqueles bandos de crentes chatos que praticamente te obrigam aceitar a Jesus. Bando de mala!” Olha a visão que ele tem de pessoas que tentaram levar a palavra até ele. Eu perguntei a ele o porquê dessa raiva e ele me respondeu que era por que os crentes geralmente não respeitavam a opinião dele, não aceitavam o fato dele reusar Jesus; tentavam obrigá-lo, impor a verdade do cristianismo.
            
             Agora vamos pensar e ser sinceros, a maioria dos cristão-evangélicos que conheço age dessa forma. E a conseqüência?! Cria antipatia por parte das pessoas. E acaba por fracassar no seu objetivo. O que atrapalha são os excessos. Cristãos fanáticos achando que todo mundo é a obrigação de crer em Jesus. Cristo é o melhor para as nossas vidas, para todas as vidas; porém não se pode enfiar goela abaixo Jesus e a sua cruz.



        Se assim o fizerem, ou pelo menos tentarem, com certeza Cristo e a sua cruz ficará engatada na garganta de muitas pessoas. A grande questão é que os cristãos têm dificuldades em entender as pessoas que não escolhem a Cristo. Bem aí mora a dificuldade. Mas como entender uma pessoa que não aceita o que nós acreditamos ser o melhor para ela?! (um cristão pergunta); a resposta está na pergunta: “... Nós acreditamos...”. Os cristãos acreditam em Jesus como o melhor para a vida deles e como o melhor para todo mundo. Mas se nem Jesus, o Cristo, entra sem bater, quem são vocês, ó seguidores de Cristo, para quererem forçar alguma coisa?!
             
         Tomar mais cuidado em relação à não aceitação de Cristo por parte de algumas pessoas é o que deveria ser pensado. A verdade de Jesus Cristo pode ser rejeitada sim; às vezes as pessoas não abrem a porta dos seus corações. Deve-se respeitar e não forçar. A força muitas vezes quebrará e destruirá toda possibilidade de uma pessoa aceitar a Cristo. Sejam tolerantes com os que têm opiniões diferentes.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O homem criou Deus

“O homem, em seu orgulho, criou Deus, a sua imagem e semelhança.” (Nietzsche)

Como assim o homem criou Deus? Que papo é esse?

Apesar de muitos filósofos, antropólogos, pensadores defenderem a tese de que realmente fora o homem quem criou Deus por não poder explicar certos fenômenos pela simples falta de conhecimento científico, não vou aqui defender essa tese propriamente dita. Percebi que o homem de hoje cria sim um deus, cria um deus para as suas próprias necessidades.
 Não vou discorrer sobre o deus que Nietzsche alvejou em suas obras, o deus de Nietzsche era o deus da moral. Nem tenho conhecimento suficiente para defender ou criticar o deus de Nietzsche, mas apenas tomarei como base essa citação dele para fundamentar uma visão que tenho da realidade atual do mundo cristão. Realidade que vem tornando a igreja doente, realidade que dá à igreja uma visão errada de Deus. Não o deus da moral de Nietzsche, mas o Eu Sou, o Deus abraâmico.
Segundo alguns estudiosos o homem cria deus pela necessidade de explicar algum fenômeno “inexplicável”, ou o homem cria deus para funcionar como bote expiatório de seus erros e responsabilidades. A frase de Nietzsche se encaixa na realidade da igreja de hoje no sentido de que o homem criou deus para as suas necessidades. Vamos analisar a realidade do homem de hoje e o que ele busca. O homem de hoje busca, utilizando o exemplo da velha pirâmide de Maslow, a auto-realização, a auto-estima, as necessidades sociais. Repare bem nos “auto” e não nos “alto”. O homem de hoje procura muito se encher das coisas que ele olha como as “certas”. O homem não busca esvaziar-se de si mesmo, mas sim encher-se de si e a si mesmo. Hoje o homem procura prosperidade, procura o carro do ano, a casa própria, procura ser um milionário; e isso dentro da realidade da igreja cristã.  Partindo desse pressuposto o deus que é pregado e apresentado às pessoas hoje se encaixa perfeitamente nessa realidade. Um deus que dá a prosperidade, a cura, um deus que te fará vencedor, que te dará a vitória. Esse deus se encaixa como uma luva nas necessidades que o homem busca hoje. Hoje, o crente abençoado é aquele que tem um, dois, três carros; é aquele que recebe a cura; é aquele que é vitorioso.
A igreja atual criou um deus a sua imagem e semelhança. O homem busca por bens, por cura, por vitória; logo cria um deus que dá isso a ele. Cria um deus que te dará um carro, uma casa, uma vida próspera. Deus te dá, mesmo não sendo a vontade Dele.  O que as igrejas têm pregado hoje em dia é isso aí. Estou cansado de ver na TV, nas portas das igrejas campanhas, correntes, simpatias, para se obter o tão sonhando bem material, a tão sonhada vitória.  Em vez de o homem buscar o evangelho de Jesus ele tem buscado um deus à sua imagem e semelhança. 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Velha bandeira da vida

                 Ah, o amor! A maior de todas as conquistas de um ser, há quem diga. Mas não, não vou falar sobre o que a maioria dos poetas fala. Não falarei de um amor platônico, de um amor tão esperado, do amor no sentido de gostar muito. Vou apresentar uma perspectiva interessante que percebi em uma letra do Lulu Santos, a letra da música “A cura” é muito interessante. Vamos conhecê-la:

Existirá / Em todo porto tremulará / a velha bandeira da vida
Acenderá / Todo farol iluminará / uma ponte de esperança
E se virá / Será quando menos se esperar / da onde ninguém imagina
Demolirá / Toda certeza vã / Não sobrará / Pedra sobre pedra
Enquanto isso / não nos custa insistir / na questão do desejo / não deixar se extinguir
Desafiando de vez a noção / na qual se crê / que o inferno é aqui
Existirá / E toda  raça então experimentará / Para todo mal / A cura

           Repare bem no título e na letra. Depois de ler essa letra várias vezes eu fiquei me perguntando qual seria essa cura. Cura que fará a velha bandeira da vida tremular; que iluminará com uma ponta de esperança; cura que, se vier, será quando menos se esperar; não sobrará pedra sobre pedra; cura que, se existirá, toda raça humana experimentará a cura para todo mal. Que cura seria essa?

                Percebi que o poeta fala do amor.  O amor traz uma ponta de esperança; o amor vem quando menos se espera e, às vezes, da onde ninguém imagina; o amor desconstrói muitos conceitos e nenhuma pedra fica sobre pedra; o amor cura todo mal, de toda uma raça. O amor é o que precisamos para combater toda dor que os humanos enfrentam, e isso da maneira mais abrangente que você puder imaginar, desde o relacionamento interpessoal ao relacionamento entre nações. Lulu Santos ao escrever “A cura” foi muito profundo. Ele soube receitar um antídoto para o mal de toda raça humana. Talvez a noção que ele tenha do amor como curador de males não seja tão profunda quanto a que os cristãos conhecem, mas ele sabe que os homens precisam de uma cura, e que ela é o amor.

                Parafraseando agora uma letra da banda Oficina G3, (Mas) se todos vivessem o amor como Deus o criou? O amor que não guarda rancor, que tudo espera e suporta a dor? Se não houver amor não vale a pena viver, o verdadeiro amor só vive quem anda com Deus. Ah, o amor; o amor como Deus o criou! Esse sim é a cura para todo o mal. Ah se todos vivessem esse amor?! Com certeza a raça estaria em processo de cura e não de destruição, de individualização, de inversão de valores.
                    Porém existe uma esperança! E como diriam os nossos amigos da banda Palavrantiga: "nunca é tarde demais, não!". Nunca é tarde demais pra descobrir o amor que vai além dos  versos feitos por poetas. O amor que nos faz um. É o amor que cura. O amor que se revela a nós como uma bandeira,  como a velha bandeira da vida.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Continuar como faziam há tanto tempo?

Zc 7: 1-5

  No versículo três, na parte “b”, os representantes do povo de Betel perguntaram aos sacerdotes do templo do Senhor: “Devemos lamentar e jejuar no quinto mês, como já estamos fazendo há tantos anos?”. Então o Senhor dos exércitos falou: “Pergunte a todo povo e aos sacerdotes: Quando vocês jejuaram no quinto e no sétimo meses durante os últimos setenta anos, foi de fato pra mim que jejuaram?” (Zc 7: 5).
                Quando li este capítulo de Zacarias a primeira coisa que me chamou a atenção foi a pergunta dos representantes do povo de Betel, Sarezer e Regém-Meleque com seus homens, se era para o povo continuar clamando e orando como faziam há tantos anos. E a fala do Senhor foi mais interessante ainda; Ele responde perguntando “foi de fato para mim que jejuaram?”.
                Essa pequena passagem só ilustra como perdemos o foco principal da busca ao Senhor e a transformamos em mera formalidade. Com o passar do tempo as nossas orações, consagrações, jejuns, votos tornam-se tão repetitivos que muitas vezes esquecemos-nos de expressar a nossa sinceridade. A forma, o modelo se torna tão presente na nossa busca ao Senhor que muitas vezes nem percebemos, mas acabamos por buscar tudo, menos Deus. Como citado no texto, há setenta anos o povo jejuava e clamava, pensando fazer isso para o Senhor; mas que na verdade eles faziam por mera formalidade, por puro ato de religiosidade. Perderam o foco com o passar do tempo, se basearam apenas em um modelo, em uma forma. Que já se tornara vazia, sem valor algum para o Senhor.
                Um dos meus maiores medos é o de me tornar tão religioso a ponto de transformar a minha busca por Deus em uma mera formalidade. Sou tão religioso quanto qualquer um, mas no que diz respeito à busca por Deus eu tomo bastante cuidado para não cair em uma forma, em um modelo que só esse é que me leva/levará pra perto do Pai. Conheço pessoas que só adoram a Deus com canções de um determinado cantor, de um determinado grupo - pois este é a trilha sonora da vida dele -, que só ora de joelhos, que só jejua às sextas-feiras, etc. Às vezes, tomamos essas atitudes até inconscientemente, pois algumas delas foram respondidas em determinadas situações e acabamos por associar a resposta de Deus àquele modelo.
                O que importa é a sinceridade, a adoração verdadeira; não importa quanto tempo a gente já orou ou quanto tempo a gente passa orando, se essa oração é religiosa. Esse foi o erro do povo betelino, clamavam todo quinto e sétimo meses há setenta anos; mas se esqueceram de “algo”. Do “algo” mais importante! O povo tornou aquele hábito, que seria uma forma de chegar perto do Senhor, em uma formalidade. Com o passar do tempo se esqueceram que jejuavam ao Senhor. Muitas vezes nós fazemos o mesmo. Enquadramo-nos em um modelo, e, muitas vezes, dizemos apenas palavras vazias.
                Será se a forma que você está buscando a Deus não está caminhando pra uma mera formalidade?  Pense nisso.

sábado, 14 de janeiro de 2012

É senão uma gota


               Tinha acabado de assistir Dr. House, minha série preferida; mudei a função do televisor para de AV para TV. Zapeando-a, parei na MTV, em um show de uma banda de rock que eu não conheço; a arena, o local do show estava lotado, umas oitenta, cem mil pessoas. Olhei a multidão vibrando muito com a apresentação da banda, dei uma sacada no som – que não me agradou, e lembrei-me de um sonho de menino.
                Logo que comecei freqüentar a igreja evangélica aprendi a tocar; e a maioria dos músicos sonha em tocar, se apresentar para um grande público. Quem é músico, sabe do que estou falando. Os motivos são vários: talvez pelo reconhecimento, pelos holofotes, para levar a palavra de Deus às multidões. O motivo não é relevante agora, o que importa é o sonho em si. Todo músico sonha em mostrar  sua arte para multidões. Quando parei ali, em frente ao televisor, veio-me esse sonho e logo em seguida, à minha memória, uma frase que escutara a menos de uma semana atrás: “Não adianta nada ministrar para uma multidão e não ter a unção. Muitos são os que se apresentam a grandes públicos, mas não têm Deus. E, vocês, têm Deus. Não percam isso. Essa é a diferença.”. Essa frase foi dita por um pastor e ele se referiu ao ministério que eu faço parte. E essa frase me lembrou uma citação da Madre Teresa de Calcutá “O que eu faço, é senão uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano será menor.”


                Grandes públicos para quê se o que vai marcar é o agir de Deus, e o agir dEle não está relacionado de forma alguma ao número de pessoas. O meu sonho de menino não importa! Se for para Deus estar ao meu lado em cada ministração, o número de pessoas é irrelevante. Se for para eu ministrar em um evento com milhares de pessoas em detrimento do agir de Deus, estou fora. Eu nunca quero ministrar se Deus não agir. Cada dia que passa fico mais convencido de que caminho com um ministério que ficará às margens dos holofotes. E que assim o seja!  Mesmo que em cada ministração, que em cada mover Deus marque apenas uma pessoa; mas se essa pessoa for verdadeiramente transformada, terá valido a pena. E, mesmo que pareça que eu esteja fazendo apenas uma gota, o oceano será menor sem ela. 

sábado, 31 de dezembro de 2011

Feliz ano novo!

Sei lá... tem dias que a gente olha pra si e se pergunta se é mesmo isso aí que a gente achou que ia ser quando a gente crescer...”
                Como diz o poeta sabiamente, é isso mesmo que eu quero pra minha vida? Estou fazendo aquilo que sonhara quando mais novo, quando me dei conta da minha existência, quando resolvi dá sentido para minha vida?
                A vida é feita de circunstâncias que nos obrigam a fazer escolhas que acabam nos levando para perto ou para longe dos nossos sonhos. Escolhas que são tomadas para nos trazer um conforto, muitas vezes imediato; mas que não nos trarão, lá na frente, uma satisfação plena.
                “... E se pergunta se anda feliz com o rumo que a vida tomou no trabalho e no amor...”
                Esse trecho retrata o tipo de pessoa que fez uma escolha (ou escolhas) que a afastou daquilo que ela realmente gostaria de fazer. “Se pergunta se anda feliz”, andar feliz, estar feliz; mas o que é felicidade? Seria bem-estar? Seria a realização daquilo que sempre buscamos para nossas vidas? Talvez... pode ser. Pra muita gente, felicidade está atrelada àquilo que dá prazer, que dá gosto em fazer, que traz tranqüilidade. Resumindo, pode-se entender que a felicidade estaria naquilo que a gente gosta em geral.  
Para fazer o que se gosta é preciso escolher fazer mesmo parecendo loucura ou achando que não dará certo. Afinal, fazer o que gosta superará qualquer dificuldade, qualquer desafio, qualquer vontade de desistir. Não pelo simples fato de realizar uma tarefa, um serviço; mas pelo fato de que ali está tudo o que sempre sonhou, tudo o que sempre quis, tudo o que sempre buscou. Ludere quae ego volo é uma frase em latim que diz “Toco o que quero.”, no sentido de fazer o que gosta. E você, faz o que gosta?!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Análise do Filme Mr. Jones

Mr. Jones (Richard Gere) é um homem impulsivo e fascinante, que atrai as pessoas com o seu encanto e a sua energia vital. No entanto, por vezes passa bruscamente desse estado de euforia para um enorme desespero. A sua psiquiatra, a Dra. Elizabeth Bowen (Lena Olin) está decidida a ajudá-lo. Mas antes que dê por isso, estará profundamente ligada a ele.
Bom, depois da sinopse oficial do filme, a história contada, como fora citada anteriormente, é a do personagem Mr. Jones (Richard Gere), que sofre de Transtorno Afetivo Bipolar. O TAB pode ser considerado uma perturbação afetiva que alterna de estados maníacos a estados depressivos. O Mr. Jones, de modo geral, é um homem bastante inteligente, culto, eloqüente. Quando se encontra na fase maníaca algumas características “recebem um ganho”; torna-se eufórico, encantador, galanteador, hiper-ativo. Consegue assim, conquistar muitas coisas ao seu redor; consegue um emprego e também sair com uma operadora de caixa de um banco; intromete-se na regência de uma peça de Beethoven, pois achou que a mesma deveria ser executada em allegro vivace(andamento mais rápido);  vale lembrar também que na fase eufórica a sua confiança é tão grande que ele põe-se a conquistar uma mulher que estava na companhia de seu parceiro sem medo de possíveis conseqüências. Não podemos deixar de citar também uma vontade que o Mr. Jones sustenta durante todo o filme, que é a de voar (isso quando está na sua fase eufórica). Nota-se que nessa fase o personagem arrisca sua vida por diversas vezes. Porém, quando se encontra na fase depressiva, Mr. Jones parece ser outra pessoa; apático, com humor deprimido, parece abalado por uma situação de perda de um relacionamento amoroso. Nessa fase o personagem demonstra toda sua fragilidade, e a idéia de “super-homem” motivado, apaixonado pela vida cai por terra. Parece ser contraditório, e até mesmo pouco provável de que esse quadro possa acontecer na vida real. Mas não, tirando é claro o romantismo da sétima arte, uma pessoa que sofre com o Transtorno Afetivo Bipolar apresenta sim, esse padrão.
Quanto à personagem de Lena Olin, a Dra. Elizabeth Bowen, é apresentada como uma das melhores especialistas da região na qual está inserida; parece ser bastante centrada, encarando com muita seriedade a sua profissão. Mas encontra-se em um estado de vulnerabilidade emocional, pois está se divorciando. Ao encontrar-se com o Mr. Jones (em sua fase eufórica), descreve-o como um homem muito interessante. Essas contigências – ela, em um estado vulnerável-emocional, e ele, em sua fase eufórica do TAB - acabaram por facilitar o envolvimento dos dois. Que para a visão romântica da coisa, esse envolvimento é até legal; mas que para a visão proposta para essa análise, que é a de um olhar enquanto acadêmico de psicologia, não é aceitável.
O envolvimento dos dois personagens acaba por prejudicar o tratamento do paciente. Já que, como a Dra. Bowen deixou ser levada por seus sentimentos, acabou prejudicando a sua escuta enquanto psiquiatra do caso Jones. Sabemos que há, por muitas vezes, identificações, ligações terapeuta-cliente; e o terapeuta sabe que qualquer tipo de ligação (no sentido de não saber separar, de tomar partido por alguma experiência)  com o cliente prejudica o tratamento em questão. A grande crítica ao filme é justamente a conduta inadequada que Elizabeth tem com o Mr. Jones.  Ao envolver-se com o cliente a doutora tem uma perda significativa na eficiência das suas intervenções; motra-se bastante interessada e acaba sendo invasiva em relação à vida pessoal do Mr. Jones. Ela faz intervenções tendenciosas – em uma das sessões Elizabeth pergunta sobre Ellen (ex-amor de Mr.Jones) - e de pouco proveito para o paciente. No desenrolar da história o interesse amoroso aumenta enquanto que o interesse em tratar o transtorno do paciente parece diminuir; o que culmina na consumação da relação amorosa dos dois. Quebrando assim, o que seria “uma das maiores regras” que envolve a psicoterapia: envolver-se com um paciente.
Enquanto espectadores de um romance, torcemos para o “típico final feliz” existir, porém ao analisarmos com o olhar da ética profissional torcemos para que Elizabeth consiga resistir aos encantos do Mr. Jones, manter-se firme no tratamento e conseguir a estabilidade do caso. Um final que também seria feliz e se encaixaria melhor na realidade em que estamos inseridos.  

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Levanto os meus olhos

“Eu olho para o céu, de onde me virá o socorro?”
                Essa citação é de uma música que eu estava escutando agora a pouco quando me veio a idéia de tentar esclarecer um pouco esse trecho da letra.
                O que leva uma pessoa a olhar para o céu?! Talvez a preocupação com a mudança climática ou, por que não, uma simples admiração da passagem de um avião que tenha chamado a sua atenção. Essas são possibilidades, mas me veio na cabeça outra situação. Sabe aquele dia em que, por qualquer motivo que seja você está com um pé atrás, com uma dúvida, com um medo de tomar uma decisão errada? Pois é, foram justamente essas situações que me vieram à cabeça.
                Lembrei que, sempre quando acontece uma situação inesperada, eu particularmente inclino minha cabeça para trás, olho para o céu, dou um longo suspiro, e penso “Oh Deus!”. Eu olho para o céu quando me sinto desconfortável, com medo, inseguro, com dúvidas. Levanto os meus olhos quando procuro por uma resposta. Eu não pergunto “de onde me virá o socorro?”, pelo menos não explicitamente. Mais é isso que procuro. Oh! E agora quem poderá me ajudar? Não, não é pelo colorado astucioso do Chapolin que eu procuro por socorro. Eu procuro é pelo Senhor!
                Quando é perguntado para as pessoas onde Deus mora, umas das respostas mais citadas é o céu; é comum fazermos essa associação. Quando procuramos por Deus geralmente olhamos para cima, esse é um hábito muito comum quando louvamos ou oramos. Olhar para o céu parece ser um simples ato, porém é muito profundo. Mostra a procura por Deus, demonstra a ânsia pelo Seu auxílio, pela presença dEle. E perguntar: “de onde me virá o socorro?” mostra a dependência pelo Pai, demonstra a segurança que se encontra n’Ele quando uma situação adversa é apresentada. Quando eu olho para alguém e faço uma pergunta eu crio uma expectativa de que essa pessoa responderá minha dúvida. Assim também ocorre quando eu olho para o céu.
Quando olho para o céu e pergunto de onde me virá o socorro na verdade estou dizendo “Deus me ajuda. Eu procuro por respostas, tira minhas dúvidas, eu preciso de Ti.”

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Ídolos desprovidos de saúde emocional

“Hoje não sou feliz.” (Xuxa Meneghel)
                Ídolo é um objeto de adoração que representa materialmente uma entidade espiritual ou divina, e freqüentemente é associado a ele poderes sobrenaturais, ou a propriedade de permitir a comunicação entre os mortais e o outro mundo. Na atualidade, com o avanço da tecnologia, o acesso de pessoas comuns a trabalhos de artistas, políticos, e personalidades importantes, o termo ídolo expandiu-se da esfera divina para a humana. É comum hoje em dia as pessoas associarem o termo “ídolo” a uma pessoa que possui sucesso em sua respectiva área profissional. Vou me direcionar especificamente às pessoas que estão na mídia.
                Quando criança quem nunca sonhou em ser um jogador de futebol famoso como fora o Ronaldo (no caso dos meninos); no caso das meninas, quem nunca sonhou em ser uma princesa como fora a Lady Di ou uma atriz bem sucedida?! Isso é natural do ser humano. Lendo uma dessas revistas sobre as celebridades vi uma reportagem da Xuxa dizendo que não era feliz. Isso ativou minha memória e lembrei-me de outras tantas celebridades que conhecemos que seguem o mesmo rumo da Xuxa. São pessoas bem sucedidas; possuem fama, dinheiro, popularidade. Mas ao mesmo tempo não são exemplos de saúde emocional. Casam-se e se separam inúmeras vezes. Trocam de companheiros sempre. Isso é muito comum entre o “meio” das celebridades, dos ídolos; que, por muitas vezes, são os nossos. Essa falta de saúde emocional é fruto de que? Esses ídolos muitas vezes são carismáticos, conhecem os segredos da sua profissão, sabem expressar opiniões sobre diversos assuntos. Mas eles não descobriram como funcionam as suas emoções, ou não conhecem seus segredos ou têm medo de descobri-los.
                Fico preocupado em as pessoas tomarem como exemplo esses ídolos. É assim que você quer ser? Bem sucedido profissionalmente, porém destruído emocionalmente? Quando você se espelha em alguém, o desejo é seguir os passos dela. Tem gente que copia todo o estilo visual de seu ídolo; e, infelizmente, não é só o visual que é copiado. Muitas vezes as ações, as atitudes também o são. Aí é minha preocupação. Prestemos atenção em quem são nossos exemplos. Mais importante do que ter sucesso profissional é ter sucesso emocional. Antes do profissional, tenha o emocional. Não é à toa que no atual mercado de trabalho as empresas priorizam por um candidato como boa uma saúde psíquica.
                Não queira ser igual a um cara famoso, bem sucedido que espanca sua namorada; muito menos a uma socialite que está em seu nono casamento; só pelo fato deles terem um aparente sucesso. Afinal de contas se você investir em sua saúde emocional terá como consequência uma vida muito mais sucedida do que qualquer outro.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Politicamente correto por Ben-Hur Rava

Piadas e humor rendem boas gargalhadas e, invariavelmente, polêmica. O Ministério Público abriu inquérito contra o humorista Rafinha Bastos por suposta apologia a estupro ao ter elogiado estupradores de mulheres feias em show de stand up comedy. Afora a questão do bom ou mau gosto da blague, o episódio merece reflexão.
Até onde vai o limite ao direito de manifestação de pensamento e liberdade de expressão? Alguns dirão: há de se proibir os abusos! Cadeia para engraçados e falastrões!
Mas onde está a razão?
Geralmente a liberdade de expressão é um direito bem vindo pela opinião pública, desde que não seja ofensiva ou politicamente incorreta. Quando se veicula opinião fora dos padrões da moral e bons costumes aceites em determinados grupos sociais a coisa muda de figura. Todos querem liberdade para expressar-se sobre política e rock'n roll, mas quando o assunto é sexo e drogas o debate esquenta e lá vem o MP com processo.
Nos EUA, a 1ª Emenda é categórica ao proteger a liberdade de expressão. Lá, juízes fazem interpretação ampla (direitos absolutos) da aplicação da liberdade em casos relacionados à comédia e à satira usada na mídia e espetáculos, seja por entretenimento, seja por veiculação publicitária.
Inúmeros casos foram julgados, sendo o mais famoso o de Larry Flynt, editor da Revista Hustler, em 1983, quando publicou paródia sexual de incesto do falecido Reverendo Jerry Falwell e sua mãe. O processo foi à Suprema Corte, em 1988, e então Chief Justice Rehnquist disse: "No cerne da 1ª Emenda está o reconhecimento da importância fundamental do livre fluxo de idéias e opiniões sobre a preocupação com assuntos de interesse público". Shows de David Letterman, Jay Leno e Jon Stewart foram cerceados por suas opiniões sarcásticas e corrosivas. Produtores do Saturday Night Live e South Park foram processados pelas gags hilárias, ainda que de gosto duvidoso. Porém, tem prevalecido a convicção de que a Constituição é pilar inabalável da liberdade de expressão, como forma de cultura democrática, mesmo em face a direitos dos grupos e minorias.
Hoje, no Brasil, a ditadura do politicamente correto quer restringir a plena liberdade, qualquer que ela seja. Cria-se uma rede de patrulha às livres idéias da imprensa e mídia que ameacem valores conservadores arraigados.
Por isso, o preço da liberdade é a eterna vigilância.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Etnocentrismo denominacional

      
Estava eu um dia na faculdade apresentando e assistindo a um seminário na cadeira de psicologia social quando um grupo teve como tema a etnia. Eles fizeram uma apresentação muito boa e quando eles estavam na metade da apresentação, tocaram no etnocentrismo, um assunto que me chamou a atenção. Vamos conhecer um pouco sobre esse assunto?

Bom, de acordo com a maioria, Etnocentrismo' é um conceito antropológico, que ocorre quando um determinado indivíduo ou grupo de pessoas, que têm os mesmos hábitos e caráter social, discrimina outro se julgando melhor, seja pela sua condição social, pelos diferentes hábitos ou manias, ou até mesmo por uma diferente forma de se vestir. Essa avaliação é, por definição, preconceituosa, feita a partir de um ponto de vista específico. Basicamente, encontramos em tal posicionamento um grupo étnico considerar-se como superior a outro. 

Do ponto de vista intelectual, etnocentrismo é a dificuldade de pensar a diferença, de ver o mundo com os olhos dos outros. O fato de que o ser humano vê o mundo através de sua cultura tem como consequência a propensão em considerar o seu modo de vida como o mais correto e o mais natural. Tal tendência, denominada etnocentrismo, é responsável em seus casos extremos pela ocorrência de numerosos conflitos sociais. A tendência do ser humano nas sociedades é de repudiar ou negar tudo que lhe é diferente ou não está de acordo com suas tendências, costumes e hábitos. Na civilização grega, o bárbaro, era o que "transgredia" toda a lei e costumes da época; este termo é, portanto, etimologicamente semelhante ao selvagem na sociedade ocidental. O costume de discriminar os que são diferentes, porque pertencem a outro grupo, pode ser encontrado dentro de uma sociedade. Agressões verbais, e até físicas, praticadas contra os estranhos que se arriscam em determinados bairros periféricos de nossas grandes cidades é um dos exemplo. Comportamentos etnocêntricos resultam também em apreciações negativas dos padrões culturais de povos diferentes. Práticas de outros sistemas culturais são catalogadas como absurdas, deprimentes e imorais.



Agora que já conhecemos um pouco sobre o etnocentrismo queria falar o porquê da minha iluminação. Eu estava muito atento à apresentação do grupo dos meus colegas, eles tocaram nesse assunto, e eu fiz uma busca no meu hd procurando alguma situação que ilustrasse o tema. Pois bem, eu achara. Na realidade eu acabara por juntar o conceito às situações conhecidas por mim. Em 1 Co 12: 12-25 o apóstolo Paulo fala sobre o corpo de Cristo e seus diferentes membros com suas respectivas funções. Como não é nenhuma novidade, existem muitas confusões dentro das igrejas com relação à diversidade desses membros. Mas eu vou abordar uma versão um pouco mais ampla, como cada membro sendo uma denominação diferente.

Assim que surgiu o movimento G12 houve várias críticas ao movimento e às suas estratégias; assim como também sempre existiu conflitos entre batistas versus assembléianos e etc. Além de questões doutrinárias envolvidas, com certeza existe o etnocentrismo denominacional. Eu já participei de algumas denominações de igrejas evangélicas; já fui batista tradicional, já fui assembléiano, já fui do G12 e hoje me congrego em uma batista (com um caráter bem pouco tradicional). E também já convivi com pessoas de outras denominações, assim como já ministrei em outras. Resolvi falar sobre essa mania que um grupo evangélico tem de analisar as doutrinas, as culturas de outras denominações a partir de um ponto de vista que é o qual ele está inserido. Já escutei e já participei de rodas que criticavam os irmãos de outra denominação só por ele fazer parte dela; ou pelo fato do homem usar brinco, ter o cabelo longo; ou pela irmãzinha não usar maquiagem, ou usar calça, ou ser pastora e etc. E sim, as pessoas que criticavam se julgavam melhor, pois acharam que eram mais livres ou mais santas por usarem isso ou aquilo; ou por ser, por ter alguma coisa ou não. Tremendo erro não?! 

Já ouvi absurdos, como por exemplo, de algumas pessoas que ao saírem de determinada denominação foram rotuladas de pessoas que não seriam mais abençoadas pelo Pai; como se só nessa determinada denominação é que as coisas acontecessem, por que lá se trabalhava de uma determinada forma (que era a melhor de acordo com eles). Já ouvi também grupos se achando mais santos por que praticavam tais ações e os outros, não. Já vi uma irmã perdendo a calma por que eu dissera que queria comprar o cd de uma pastora que saíra da nossa denominação. Eu mesmo já sofri esse tipo de problema quando me mudara de um grupo para outro; uma irmã da minha antiga igreja me perguntara (com um tom de ironia) se eu ainda era crente pelo simples fato de ter deixado a igreja dela e entrado em outra; vale lembrar que até hoje ela não entende o porquê de eu ter saído da sua igreja, já que lá era minha família. O engraçado é que ela me falou o seguinte: “Eu não entendo como tu pôde ter saído de lá, já que lá é a tua família.”; eu respondi que eu não tinha saído da minha família; minha família é o corpo de Cristo como um todo, não só uma igreja em específico. O problema é que ela não enxergou isso. Ela defendeu tanto o fato de que eu só estaria na família se compartilhasse do mesmo grupo dela que insinuou o meu “desviamento” dos caminhos do Pai.
                
Como um cristão é capaz de pensar que um indivíduo só é bom, só presta, só é abençoado quando está no mesmo grupo dele?! Isso só acontece por que a imaturidade impera no meio evangélico. A dificuldade de aceitar as diferenças está estampada em nossa realidade.  Esse tipo de pensamento me deixa muito triste. De uma maneira ou de outra, acaba-se por desmerecer a estratégia de outros grupos. E isso traz muito mais que a divisão, traz os conflitos, traz a falta de respeito. Em Mateus 12:25 Jesus já dizia que todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá.

Então que a gente possa deixar de achar que o outro irmão não presta só por que ele não é da sua convenção, pois o Mestre já dizia “pois quem não é contra vocês, é a favor de vocês.” (Lc 9: 50b). Independente de denominação, cultura, doutrinas, tudo é válido, estando sob a luz da bíblia é claro, na contribuição para a propagação do Reino de Deus.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Alguma coisa sobre música gospel


“Você pode pegar a música da Falamansa e dizer que ela é gospel. Por que gospel fala de coisas boas e tal.” (Tato – Falamansa)

                Assistindo a um programa na TV Brasil, me deparo com essa afirmativa do vocalista da banda Falamansa, uma das precursoras do estilo sertanejo universitário, dizendo que a música da banda dele poderia ser intitulada de música gospel; com a justificativa de que as letras falam sobre coisas boas.
                Mas afinal de contas, o que é música gospel?!
                A música gospel (do inglês “gospel”, ou seja, “evangelho”) é um gênero musical de origem afro-americana, nascido nas fazendas de escravos no sul dos Estados Unidos. Os escravos cantavam músicas religiosas com mensagens escondidas em suas letras. O gospel em sua forma original era geralmente interpretado por um solista, acompanhado de um coro e um pequeno conjunto instrumental. Um exemplo muito claro está no filme Mudança de Hábito, onde encontramos a verdadeira música gospel, na canção Oh happy Day.
                Agora que já sabemos o que realmente é a música gospel, podemos concordar com o Tato quando ele diz que a música da sua banda pode ser rotulada como gospel? Acho que ele é tão confuso, quanto nós, ao utilizar esse termo (o gospel) pra falar de música cristã.
                O gospel é um gênero musical, isso mesmo; como já foi explicado anteriormente, o gospel é um estilo musical e não engloba a música cristã como um todo.  No Brasil, o termo gospel foi utilizado pela primeira vez pela Gravadora Gospel Records (em meados dos anos 80), pioneira nesse segmento. E, infelizmente, a partir daí, começaram as dúvidas e o emprego errado do termo gospel. Nas terras tupiniquins, o gospel é utilizado para rotular a música cristã-evangélica como um todo, podendo ela ser um forró, axé, rock, pop, etc. Seria como chamar todas as músicas pagãs e/ou satânicas de Black metal. Ou seja, associar um estilo musical (Black metal) a uma mensagem transmitida nas letras, mesmo esta sendo difundida por outros estilos (forró, axé, samba, rock, pop).
                Há quem defenda o uso do termo gospel para abranger toda música cristã-evangélica do país, pois é um termo de fácil associação. De acordo com a origem da palavra, eles estão errados ao defender. E, por razão dessa defesa, foi que o nosso amigo Tato usou erroneamente o termo gospel em sua afirmação. Ele seria mais assertivo se dissesse música cristã. Em se tratando do contexto brasileiro, que é impregnado com o uso errado do termo, eu não o culpo pelo uso indevido. Mas convenhamos que não seja o correto. E agora que você já sabe a origem do gospel, espero que não cometa o mesmo erro que ele cometera.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Sujeito da História

                Todo indivíduo desenvolve atitudes em relação ao meio social. Atitudes estas, que podem ser mudadas.
                Estamos em constante aprendizagem, que é um processo fundamental da vida. A aprendizagem ocorre também, por meio do social. Ou seja, de um contexto histórico já existente. Observamos alguma situação e a transformamos, ou não, em experiência de vida; a qual é muito particular de cada um.
                Se vivemos em um contexto social, supõe-se que analisemos uma grande parte das situações existentes em nosso redor. E, a partir daí, construímos verdades, valores; esses valores, verdades só são construídos pelo fato do homem ser sujeito da História. A História é construída pela subjetividade de alguns, pois estes adquiriram experiências de uma situação e trouxeram para si, e viram que era bom. Externalizaram... Convenceram um grupo e assim a História fora e é construída.
                Um indivíduo é tão influenciado e influencia tanto, que em determinados grupos têm-se “cópias”, apesar da individualidade de cada um.  

sábado, 4 de junho de 2011

Texto de Arnaldo Jabor


         "É melhor você ter uma mulher engraçada do que linda, que sempre te acompanha nas festas, adora uma cerveja, gosta de futebol, prefere andar de chinelo e vestidinho, ou então calça jeans desbotada e camiseta básica, faz academia quando dá, come carne, é simpática, não liga pra grana, só quer uma vida tranqüila e saudável, é desencanada e adora dar risada. Do que ter uma mulher perfeitinha, que não curte nada, se veste feito um manequim de vitrine, nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a seqüência de bíceps e tríceps. Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa. Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira. Pode até ser meio mal educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas e daí? Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução. Mas ainda não criaram um remédio pra FUTILIDADE!!"  (Arnaldo Jabor)

        Esta crítica de Jabor à futilidade nada mais é do que o reflexo que a sociedade vive hoje. Valoriza-se mais um padrão de beleza quase inalcançável do que o conteúdo apresentado por cada indivíduo, e destaco aqui, assim como Jabor, as mulheres. Mulheres com lindas curvas, com medidas invejáveis, com dietas malucas, com implantes cada vez maiores, com pele de pêssego, com barrigas que dão pra lavar roupas; porém, mulheres essas, que não sabem apreciar uma boa música, um bom filme, ter uma conversa saudável.
        Eu dou eco às palavras do Jabor, melhor ter uma boa companhia do que um modelo que mais parece àqueles das vitrines das lojas. Afinal de contas, beleza não é aparência. Beleza é equilíbrio. Equilíbrio que nada mais é do que o bem-estar encontrado em ambas as partes por um casal.