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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Como se fosse a última vez

A hora de ir à tua casa se aproxima. Penso se tenho ido no modo automático. Ou não. Se me banho, me arrumo, me perfumo e vou à tua casa com a ideia de que esse, o dia de hoje ser, talvez, a última chance que tenho de te encontrar. Penso e vejo que a posição que tenho tomado é a do desleixo, penso que a vida ainda será longa por que hoje, ainda sou jovem (e quem disse que a duração da vida tem alguma relação com os meus poucos anos?!). 

Mas tento não me prender a isso e nego esse paradigma. Imagino que terei anos duradouros pela frente e por isso vou ao teu encontro de qualquer jeito. Penso que ainda terei várias oportunidades para ir, como se fosse a última vez e finalmente chegar o momento de aproveitar tudo o que tiver ao meu alcance. Ainda terei chances de me preparar adequadamente. Ainda conseguirei ir ao teu encontro com o coração aberto e a mente vazia. O coração aberto para te sentir. E a mente vazia para não pensar nas coisas temporais que passam diante dos meus olhos. Com o coração aberto para sentir o teu afago. Com a mente vazia das preocupações do cotidiano. Com o coração aberto, pronto para afastar todas as angústias da minha alma. Com a mente vazia para quebrar todos os sofismas. 

Ora, e se, eu soubesse que hoje fosse minha última oportunidade de te olhar, como eu iria até você? Com certeza usaria a minha melhor roupa, o meu melhor perfume, me prepararia da melhor forma, aproveitaria cada momento. Estaria diante de ti, não apenas fisicamente como o tenho feito, mas também com todo o meu entendimento, com toda minha alma e com todo o meu coração. Cada momento seria único e o levaria comigo para a eternidade. Mais ainda, e se, toda vez que, quando estivesse me arrumando para ir ao teu encontro, eu me comportasse como se essa fosse a última vez?


domingo, 24 de junho de 2012

Ser-um-vaso


              No livro de Êxodo 33:7 Moisés, para buscar o Senhor costumava montar uma tenda fora do arraial, bem longe do arraial. Vamos acompanhar esse versículo: “Moisés costumava montar uma tenda do lado de fora do acampamento; ele a chamava de Tenda do Encontro. Quem quisesse consultar o Senhor ia à tenda, fora do acampamento.”
            Na continuação do texto vemos que, quando Moisés ia à Tenda fora do acampamento, o Senhor falava com Moisés como quem fala com seu amigo. Moisés saía do arraial, ele deixava no arraial as situações do cotidiano, do seu dia-a-dia. Para consultar o Senhor e para Deus falar com ele como quem fala com seu amigo Moisés deixava de lado as preocupações da vida. Como um vaso, procurava se esvaziar, para só assim o Senhor falar com ele.
            Precisamos entender o real sentido de ser-um-vaso. Moisés entendeu esse significado e conseguiu falar com o Senhor face a face. Mas o que é ser-um-vaso? Qual é a essência em ser-um-vaso?
            Pensemos agora em um vaso, a sua base, as suas paredes e o vazio central; imaginou?! Agora vamos analisar: qual seria a serventia de um vaso se o mesmo não tivesse esse vácuo no centro de sua forma? Você já pensou nisso? Serviria para nada, você concorda comigo? Talvez apenas para ser um peso e segurar alguma porta e não deixar a mesma bater. Pois bem, a essência do vaso está no seu vazio e, a partir desse vazio, ter-se a possibilidade de enchê-lo. O vaso só pode vir a se encher porque antes de tudo ele é vazio. Preliminarmente, é o vazio que faz o vaso. O vaso não tem sentido se não tiver essa característica do vazio e essa possibilidade de encher-se. O buraco central do vaso além de representar o vazio nos traz um sentido de abertura à alguma coisa. Vazio e plenitude. Isso é ser-um-vaso.
            Nós precisamos sair do arraial, deixar nossas preocupações diárias de lado para que o Senhor fale conosco. Parar com o nosso ativismo; esvaziar-nos. Somos vasos que para que o Senhor encha-nos dEle precisamos esvaziar-nos de nós mesmos. Lembre-se que ser-um-vaso é ser-vazio e possuir uma abertura; mas que essa abertura seja uma que nos leve para mais perto de Deus. É só estando vazio que Deus pode nos encher. Saia do seu arraial e entre na Tenda do Encontro; largue as contingências do cotidiano, se esvazie das mesmas e seja um vazio com uma abertura a Deus.