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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Como se fosse a última vez

A hora de ir à tua casa se aproxima. Penso se tenho ido no modo automático. Ou não. Se me banho, me arrumo, me perfumo e vou à tua casa com a ideia de que esse, o dia de hoje ser, talvez, a última chance que tenho de te encontrar. Penso e vejo que a posição que tenho tomado é a do desleixo, penso que a vida ainda será longa por que hoje, ainda sou jovem (e quem disse que a duração da vida tem alguma relação com os meus poucos anos?!). 

Mas tento não me prender a isso e nego esse paradigma. Imagino que terei anos duradouros pela frente e por isso vou ao teu encontro de qualquer jeito. Penso que ainda terei várias oportunidades para ir, como se fosse a última vez e finalmente chegar o momento de aproveitar tudo o que tiver ao meu alcance. Ainda terei chances de me preparar adequadamente. Ainda conseguirei ir ao teu encontro com o coração aberto e a mente vazia. O coração aberto para te sentir. E a mente vazia para não pensar nas coisas temporais que passam diante dos meus olhos. Com o coração aberto para sentir o teu afago. Com a mente vazia das preocupações do cotidiano. Com o coração aberto, pronto para afastar todas as angústias da minha alma. Com a mente vazia para quebrar todos os sofismas. 

Ora, e se, eu soubesse que hoje fosse minha última oportunidade de te olhar, como eu iria até você? Com certeza usaria a minha melhor roupa, o meu melhor perfume, me prepararia da melhor forma, aproveitaria cada momento. Estaria diante de ti, não apenas fisicamente como o tenho feito, mas também com todo o meu entendimento, com toda minha alma e com todo o meu coração. Cada momento seria único e o levaria comigo para a eternidade. Mais ainda, e se, toda vez que, quando estivesse me arrumando para ir ao teu encontro, eu me comportasse como se essa fosse a última vez?


quinta-feira, 29 de maio de 2014

Faz um milagre em mim

“Chegando a Jericó, atravessava Jesus a cidade. Eis que um homem rico, chamado Zaqueu, chefe dos publicanos, buscava ver quem era Jesus; todavia, sendo ele de pequena estatura, não o conseguia, devido à afluência do povo. Por esse motivo, correu adiante da multidão e subiu em uma figueira brava para observá-lo, pois Jesus ia passar por ali. Quando Jesus chegou aquele local, olhou para cima e o chamou: ‘Zaqueu! Desce depressa, pois preciso ficar hoje em tua casa’. No mesmo momento Zaqueu desceu apressado e o recebeu com enorme alegria. Todos, em meio à multidão, que presenciaram o que se passou começaram a murmurar: ‘Ele entrou na casa daquele pecador e vai hospedar-se lá!’. Então, Zaqueu tomou a palavra e comunicou a Jesus: ‘Eis a metade dos meus bens Senhor, que estou doando aos pobres; e se de alguém extorqui alguma coisa, devolverei quatro vezes mais!’. Diante disso, Jesus declarou: ‘Hoje, houve salvação nesta casa, pois este homem também é filho de Abraão. Porquanto o filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido’. (Lc 19:1-10 – grifos nossos)

Zaqueu é apresentado na biografia do nazareno como o retrato de um homem pecador, pois ele era muito rico e chefe dos publicanos. Esses eram aqueles que cobravam os impostos naquela época e eram considerados pela sociedade com ladrões. Zaqueu compreendeu sobre a distância orada por Jesus no sermão da montanha. Ele havia sido injusto para com várias pessoas, cobrando impostos de forma abusiva. Zaqueu andou pelo caminho largo do seu egocentrismo e estava perdido. Até que teve o encontro com Cristo e o seu caminho passou do caminho amplo, para o caminho estreito; do caminho da perdição para o caminho da salvação.

Houve salvação, disse Jesus. Quando mudamos o caminhar, e no caso específico supracitado, quando adoramos a Deus com todas as forças - significando isso também, adorar com os bens - passamos do estado da perdição para o estado da salvação. Zaqueu encurtou a distância que ele possuía para com as pessoas que ele havia cometido injustiça. Zaqueu mudou seu modo-de-ser, ele encontrou em Cristo aquilo que preenchia a sua existência. Não eram os seus bens, mas depender de Cristo, compreendendo e realizando com atitudes práticas no mundo concreto a diminuição das distâncias que possuía.

O cantor Regis Danese consagrou, e não sentido de sacrificar a Deus, mas no sentido de tornar famosa a história do pequeno Zaqueu com a sua música “Faz um milagre em mim”. Se você é brasileiro, é bem provável que já tenha escutado essa canção. Ela quebrou paradigmas em relação a música gospel no país. Enfim, o Regis Danese resume em sua música a história desse rico publicano. Se seguirmos a interpretação bíblica, o milagre pelo qual Zaqueu suplica e que é cantado por milhares de pessoas é o milagre da mudança de caminho. E nada tem haver com o milagre da benção material ou da cura fisiológica. Pelo contrário, o milagre de Zaqueu foi ter encontrado Cristo e ter saído do amplo caminho da perdição e entrado no estreito caminho da salvação através, primeiramente do seu encontro pessoal com Cristo, e depois através da distribuição de seus bens.

Amplo é o caminho que leva à perdição. Amplo é o caminho que conduz ao vazio da existência. Esse caminho possui o solo do comodismo; a vegetação do egocentrismo; e o som almático de uma pseudo-vitória. Trilhar pelo caminho que leva ao fracasso existencial é caminhar distante do combate proposto pelo Eterno. O caminho muda e já não será mais aquele que leva para a perdição, porém, pelo contrário, o caminho agora conduzirá até a vida. Até a vida no sentido de propósito e de preenchimento do vazio existente. Estreito é o caminho que leva à vida. Estreito é o caminho que conduz ao preenchimento da existência. Esse caminho possui o solo do inconformismo; a vegetação do altruísmo; e o som celestial de uma vitória genuína!



quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Velha bandeira da vida

                 Ah, o amor! A maior de todas as conquistas de um ser, há quem diga. Mas não, não vou falar sobre o que a maioria dos poetas fala. Não falarei de um amor platônico, de um amor tão esperado, do amor no sentido de gostar muito. Vou apresentar uma perspectiva interessante que percebi em uma letra do Lulu Santos, a letra da música “A cura” é muito interessante. Vamos conhecê-la:

Existirá / Em todo porto tremulará / a velha bandeira da vida
Acenderá / Todo farol iluminará / uma ponte de esperança
E se virá / Será quando menos se esperar / da onde ninguém imagina
Demolirá / Toda certeza vã / Não sobrará / Pedra sobre pedra
Enquanto isso / não nos custa insistir / na questão do desejo / não deixar se extinguir
Desafiando de vez a noção / na qual se crê / que o inferno é aqui
Existirá / E toda  raça então experimentará / Para todo mal / A cura

           Repare bem no título e na letra. Depois de ler essa letra várias vezes eu fiquei me perguntando qual seria essa cura. Cura que fará a velha bandeira da vida tremular; que iluminará com uma ponta de esperança; cura que, se vier, será quando menos se esperar; não sobrará pedra sobre pedra; cura que, se existirá, toda raça humana experimentará a cura para todo mal. Que cura seria essa?

                Percebi que o poeta fala do amor.  O amor traz uma ponta de esperança; o amor vem quando menos se espera e, às vezes, da onde ninguém imagina; o amor desconstrói muitos conceitos e nenhuma pedra fica sobre pedra; o amor cura todo mal, de toda uma raça. O amor é o que precisamos para combater toda dor que os humanos enfrentam, e isso da maneira mais abrangente que você puder imaginar, desde o relacionamento interpessoal ao relacionamento entre nações. Lulu Santos ao escrever “A cura” foi muito profundo. Ele soube receitar um antídoto para o mal de toda raça humana. Talvez a noção que ele tenha do amor como curador de males não seja tão profunda quanto a que os cristãos conhecem, mas ele sabe que os homens precisam de uma cura, e que ela é o amor.

                Parafraseando agora uma letra da banda Oficina G3, (Mas) se todos vivessem o amor como Deus o criou? O amor que não guarda rancor, que tudo espera e suporta a dor? Se não houver amor não vale a pena viver, o verdadeiro amor só vive quem anda com Deus. Ah, o amor; o amor como Deus o criou! Esse sim é a cura para todo o mal. Ah se todos vivessem esse amor?! Com certeza a raça estaria em processo de cura e não de destruição, de individualização, de inversão de valores.
                    Porém existe uma esperança! E como diriam os nossos amigos da banda Palavrantiga: "nunca é tarde demais, não!". Nunca é tarde demais pra descobrir o amor que vai além dos  versos feitos por poetas. O amor que nos faz um. É o amor que cura. O amor que se revela a nós como uma bandeira,  como a velha bandeira da vida.