O homem é um lápis. A existência, um livro em
branco. O lápis risca as páginas em branco do livro da existência e vai
gastando-se. É no riscar do lápis que se constrói uma história. O lápis vai
diminuindo de tamanho com o passar das linhas escritas. A vida do homem vai
passando, seus dias vão terminando. Assim como o lápis, que vai riscando um
papel, que está sendo queimado pelo papel em branco do livro. E com o decorrer
do tempo o lápis olha de si para si e enxerga que já não é mais novinho e
folha; pelo contrário, já está gasto, chegando ao fim de sua vida útil. O lápis
gasto olha para o lápis novo, observa-o em todo o seu potencial e se lembra de
que o seu fim está próximo. Porém não sente inveja do lápis novo, pois ele – o
novo - ainda não riscou nada; ainda não escreveu nenhuma linha, nenhuma
história, não criou nenhum desenho, nenhum rabisco sequer. O lápis novo ainda
nada deixou para o mundo. O lápis gasto, no fim de sua existência já construiu
uma história; uma história que ficará no e para o mundo. O lápis gasto é assim
como o homem que chega ao final de sua existência. O homem escreve a sua
história, realiza possibilidades, constrói uma obra. Que história você deixará
para a humanidade ler?!
domingo, 17 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Saudade
Sabe amor... eu estava aqui
lendo sobre a saudade. Estava lendo por que é ela que está me enchendo nesse
momento. Saudade é um sentimento que traz melancolia, que traz tristeza por que
carrega consigo sentimentos, momentos vividos, já passados; que, no agora,
estão ausentes.
Comecei a pensar em nós dois,
nos nossos momentos e em alguns dos lugares em que vivemos esses momentos.
Porém, paradoxalmente, não me veio uma sensação de melancolia apenas. Veio-me
um sentimento de fortalecimento. A saudade que sinto faz com que o meu amor por
você se torne mais forte.
A saudade trouxe os momentos já
passados; os momentos que já estão escritos no nosso livro; que já estão cravados
na nossa existência, na nossa história. Esses momentos não são mais meras
possibilidades, antes, são realidades. Estão feitos. Estão construídos. E eles
é que nos trouxeram para o presente. Esse presente transparente e cúmplice que
vivemos.
E trouxe também, a saudade, a
certeza de que quero que esses momentos se repitam para toda a minha
existência.
Cada vez que eu sentir, que eu
disser que estou com saudade de você, saiba de uma coisa: o meu amor por ti
está sendo fortalecido.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Trecho da Si
Sentado no carro, parado,
à beira-mar, eu penso em como a vida tem seus paradoxos. Uma maneira de medir
qualitativamente é adotada e, mesmo tirando a nota máxima, se é reprovado. Quem
si ajuda com o google é aprovado, quem decora é aprovado, e quem aprende?! E
quem absorve alguma coisa?! Corre-se o risco de ser reprovado. Mas...é assim
mesmo! O mundo é dos espertos já dizia uma moça linda e encantadora. Quem sabe
"se fazer" é quem burla; é quem toma vantagem; é quem consegue
amizades. É assim mesmo?! Não!! Escrevo para que não! Para que o bonitinho não
consiga a vaga; para que o mentiroso não tenha crédito; para que o amigo não
seja passado às escondidas; para que quem falta, falte mesmo; para que o
canguru não fique; para que a senhora não se atrase; para que a leveza não seja
bajulada; para que quem questiona, seja ouvido; para que quem leciona seja dado
o direito à flexibilidade; para que o cavalinho-marinho tenha direitos; para
que o mestre não seja o absoluto; para que quem cedo madruga não fique até tarde;
para que o falador não se atrapalhe com suas palavras; para que o historiador
não seja dominador; para que o fator X não seja uma icógnita; para que a
comédia não seja censurada; para que o pseudônimo não vá à justiça; para que a
primogênita não seja pior que a segunda; e para que a cantiga não fique de
final.
sábado, 18 de agosto de 2012
Será revelado o teu caminho?
“O Senhor confia
os seus segredos aos que o temem, e os leva a conhecer a sua aliança” (Salmos
25:14)
Chegar perto de Deus. Esse é um
dos caminhos que todo cristão deveria seguir. Conhecê-Lo; estar próximo dele.
Tê-Lo como um Pai e não como um velhinho barbudo e castigador. A nossa busca diária com Deus deve existir.
Intimidade é tudo que ele deseja. Aba quer ser nosso amigo e contar os Seus
segredos para aqueles que o conhecem.
Os segredos de Deus são as condições
a respeito do nosso caminhar com ele. Assim como diz no versículo quatorze do
capítulo vinte e cinco do livro de Salmos, “O Senhor Deus é amigo daqueles que
o temem e lhes ensina as condições da aliança que fez com eles”. Deus ama a
todos da mesma maneira, mas confia apenas naqueles que estão perto dele. Aba
quer nos confiar os segredos dele, mas para isso temos que reconhecer a Sua
santidade, conhecê-Lo e compreender como realmente ele é. E só assim,
parafraseando o versículo cinco do capítulo dois do livro de Provérbios, é que
nós entenderemos o que é temer o Senhor e acharemos o conhecimento de Deus.
Temer a Deus traz o seu grande amor. Assim como está escrito no Salmo
Davídico, “Pois como os céus se elevam acima da terra, assim é grande o seu amor
para com os que o temem”. O temor do Senhor também é, como diz Salomão em
Provérbios quatorze versículo vinte e sete, fonte de vida. Temer é estar vivo
nele. Temer é seguir a sua palavra, caminhar de acordo com a vontade de Aba. O
temor traz ainda a salvação e com ela, a glória habitará na terra.
A glória habita na terra por meio da salvação dos que o temem. Os que o
temem e que confiam no Senhor de todo o coração acharão o conhecimento de Deus
e não se apoiarão no seu próprio entendimento, mas reconhecerão o Senhor em
todos os seus caminhos e ele orientará as suas veredas. Aba nos ensinará as
condições da aliança que fez com cada um de nós.
Condições já escritas, antes mesmo de nós sabermos. Mas que só e só
saberemos se nos achegarmos a Deus. Moisés passara quarenta dias e quarenta
noites no monte; ele foi até o Senhor para receber as tábuas de pedra com a
lei. Acompanhe em Êxodo 24:12, “ Suba o monte, venha até mim, e fique aqui; e
lhe darei as tábuas de pedra com a lei e os mandamentos que escrevi para a
instrução do povo”. Lei aqui tem o sentido de regular; de guiar; de nortear o
povo a um caminho a ser seguido para estar em aliança com Deus. Note no
versículo que Deus já havia escrito a lei antes de Moisés conhecê-la. Deus já
tinha um norte para o povo de Israel antes de o mesmo se tornar conhecedor da
lei. Isso me fascina!
Para cada um Deus já tem um norte estabelecido antes do mesmo se tornar
conhecido. Aba quer nos confiar as condições da sua aliança, quer nos contar os seus segredos,
quer orientar o nosso caminho estreito. A cada um cabe o querer de ser sabedor
do norte, desse caminho que Deus estabeleceu antes mesmo da fundação do mundo.
Esse querer-ser-sabedor implica em temer a Deus, envolve estar perto dele. Subir o monte e ficar próximo, ouvi-lo.
Assim sendo, Aba só contará as condições da aliança, ou seja, o caminho a
ser seguido, para aqueles que o temem e que o buscam. “Venha até mim e fique
aqui; e lhe darei as tábuas da lei” (Ex 24:12), essa é a condição para que Deus
nos conte os segredos da aliança Dele para com a gente.
domingo, 24 de junho de 2012
Ser-um-vaso
No livro de Êxodo 33:7 Moisés, para buscar o Senhor
costumava montar uma tenda fora do arraial, bem longe do arraial. Vamos
acompanhar esse versículo: “Moisés costumava montar uma tenda do lado de fora
do acampamento; ele a chamava de Tenda do Encontro. Quem quisesse consultar o
Senhor ia à tenda, fora do acampamento.”
Na
continuação do texto vemos que, quando Moisés ia à Tenda fora do acampamento, o
Senhor falava com Moisés como quem fala com seu amigo. Moisés saía do arraial,
ele deixava no arraial as situações do cotidiano, do seu dia-a-dia. Para
consultar o Senhor e para Deus falar com ele como quem fala com seu amigo
Moisés deixava de lado as preocupações da vida. Como um vaso, procurava se
esvaziar, para só assim o Senhor falar com ele.
Precisamos
entender o real sentido de ser-um-vaso. Moisés entendeu esse significado e
conseguiu falar com o Senhor face a face. Mas o que é ser-um-vaso? Qual é a
essência em ser-um-vaso?
Pensemos
agora em um vaso, a sua base, as suas paredes e o vazio central; imaginou?!
Agora vamos analisar: qual seria a serventia de um vaso se o mesmo não tivesse
esse vácuo no centro de sua forma? Você já pensou nisso? Serviria para nada,
você concorda comigo? Talvez apenas para ser um peso e segurar alguma porta e
não deixar a mesma bater. Pois bem, a essência do vaso está no seu vazio e, a
partir desse vazio, ter-se a possibilidade de enchê-lo. O vaso só pode vir a se
encher porque antes de tudo ele é vazio. Preliminarmente, é o vazio que faz o
vaso. O vaso não tem sentido se não tiver essa característica do vazio e essa
possibilidade de encher-se. O buraco central do vaso além de representar o
vazio nos traz um sentido de abertura à alguma coisa. Vazio e plenitude. Isso é
ser-um-vaso.
Nós
precisamos sair do arraial, deixar nossas preocupações diárias de lado para que
o Senhor fale conosco. Parar com o nosso ativismo; esvaziar-nos. Somos vasos
que para que o Senhor encha-nos dEle precisamos esvaziar-nos de nós mesmos.
Lembre-se que ser-um-vaso é ser-vazio e possuir uma abertura; mas que essa
abertura seja uma que nos leve para mais perto de Deus. É só estando vazio que
Deus pode nos encher. Saia do seu arraial e entre na Tenda do Encontro; largue
as contingências do cotidiano, se esvazie das mesmas e seja um vazio com uma
abertura a Deus.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Tenho que ter um chão
A psicologia é uma ciência bastante
ampla, possui várias áreas teóricas assim como também várias áreas de atuações.
É sabido que para atuar em qualquer área que seja é preciso ter uma
fundamentação teórica sólida.
Como
todo aluno de graduação de psicologia, ao escutar o anúncio da professora de
que a turma visitaria uma clínica de saúde mental fiquei curioso, pois teria a
oportunidade de olhar na prática a atuação de um psicólogo; além de conhecer as
políticas de uma instituição que trabalha nessa área; e também ter a chance de
observar a discrepância entre teoria acadêmica e prática. No primeiro dia, um
discurso longo e cansativo, porém não menos importante, sobre um pouco do
funcionamento da clínica; falou-se desde o procedimento da admissão de
pacientes até a liberação dos mesmos. Após esse discurso partiu-se para a parte
em que um dos psicólogos da clínica apresentaria a sua contribuição dentro do
funcionamento da instituição. O segundo dia começou com os estudantes
assistindo a um grupo onde os pacientes são ouvidos pela equipe técnica da
clínica; no outro momento discutiu-se com o psicólogo a eficiência dessa
política enquanto diminuição do sofrimento dos pacientes da clínica. E no
último dia, houve um contato mais demorado com alguns pacientes e a
oportunidade de conhecer a história de alguns deles; logo após, uma conversa
com o psicólogo sobre as nossas impressões dessas três manhãs de visitas na
clínica.
Num primeiro momento é
difícil ver um número assustador de pacientes e não se perguntar como é que eu,
enquanto psicólogo, poderia intervir nesse local. Essa foi a dúvida que eu carreguei durante o
período de visita.
Chão
é tudo aquilo que me sustenta, não necessariamente – ou tão somente – o chão de
terra ou de pedra. Jesus Cristo, a família, a música, a psicologia são o meu
chão. Pois bem, como já dizia o poeta chão é tudo aquilo que me sustenta, e
dentro da psicologia cada profissional tem – ou pelo menos deveria ter - um
chão por onde andar; ter uma fundamentação teórica sólida. Tenho que ter um
chão. Esse foi o resumo da minha experiência nos dias de visita à clínica.
Dentre tantas coisas que eu pude e que observei, a que mais me chamou a atenção
foi a diferença de possibilidades de atuação (no sentido mais amplo da palavra)
entre um profissional que tem uma base sólida e outro que não tem uma
fundamentação teórica firme. Já é de se saber que para fazer um trabalho bem
feito tem que estudar e estudar bastante. Porém os acadêmicos estudam apenas para tirar
uma boa nota, para passar na cadeira; muitas vezes esquecem o real sentido da
coisa. Estudar, não só para passar, mas também para ter um chão firme onde, só
assim, será possível realizar um trabalho consistente. Conhecer a prática de um
profissional que tem uma base sólida é apaixonante! Ver como é possível fazer
aquilo que você se dispôs lá no início do curso. Ter uma fundamentação teórica
sólida é essencial e isso reflete diretamente na atuação do profissional. E foi
esse o observado, a competência de um colega, que tem uma base teórica sólida, como
iluminação, como exemplo para quem ainda está na metade da graduação, porém no
começo de uma vida junto à psicologia.
Construir
esse chão não é fácil, é desafiador! Por isso a incompetência bate à porta. Mas
é justamente o que eu propus fazer, enquanto psicólogo, é que me motiva a ter
algo que me sustente, que me sirva de apoio. Citando Viktor Frankl: “Isso quer
dizer que ser humano significa dirigir-se além de si mesmo, para algo diferente
de si mesmo, para alguma coisa ou alguém. Em outras palavras, o interesse
preponderante do ser humano não é por quaisquer condições internas dele
próprio, sejam elas prazer ou equilíbrio interior, mas ele é orientado para o
mundo lá fora, e neste mundo procura um sentido que pudesse realizar ou uma
pessoa que pudesse amar. E, com base em sua autocompreensão ontológica
pré-reflexiva, tem conhecimento de que ele se autorrealiza precisamente à
medida que se esquece de si próprio; e ele se esquece de si próprio novamente à
mesma medida que se entrega a uma causa à qual serve, ou a uma pessoa que ama.”
E é nessa tarefa de
ajudar o outro é que eu me realizo. Mas só posso ajudar o outro de forma
relevante se eu tiver um chão.
quarta-feira, 14 de março de 2012
Indulgências e Bençãos
No século XVI um grande escândalo provocou uma revolta dentro da igreja cristã. Essa revolta ficou conhecida como Reforma; e foi encabeçada por Martinho Lutero que estava insatisfeito com a forma de a igreja conduzir algumas questões. O ponto-chave que fez eclodir a Reforma foi a venda das indulgências. Nos dias atuais a igreja brasileira tem vendido, o que eu chamo de “novas indulgências”. Será que teremos uma nova reforma?
Todos sabem que a igreja, a partir do momento em que fora incorporada ao império romano no séc. III por Constantino, tornou-se ao longo dos séculos uma instituição muito poderosa. E é válido lembrar: o poder em detrimento da pureza doutrinária e do objetivo real da igreja. Em meados do século XVI a igreja tinha influência sobre todas as áreas possíveis da sociedade da época, desde a educação até a política. Porém esse poder foi conseguido pela corrupção das autoridades religiosas da época. A decadência moral foi se instalando devido a queda do império romano que trouxe a descentralização do poder e a consolidação do feudalismo, onde justamente a influência dos senhores feudais trouxe a decadência moral do clero.
Com o clero corrompido vieram os excessos em relação às doutrinas cristãs da época. Um desses excessos foi a venda de indulgências. Indulgência é o livramento da conseqüência de um pecado, este já perdoado. João Tetzel foi um famoso vendedor de indulgências, ele dizia que, se alguém comprasse uma indulgência para um parente falecido “no momento em que a moeda tocasse no fundo do cofre, a alma saltava do inferno e ia direto para o céu”. O motivo pelo qual as pessoas compravam essas indulgências era que elas queriam se livrar do sofrimento, queriam livrar-se do mal causado pelo desvio de sua conduta. O excesso era tão grande que as pessoas “livravam o sofrimento” até de parentes que já haviam morrido; compravam as indulgências e o morto ia direto do inferno ao céu com apenas um pulo.
E cá estamos, no começo do século XXI, uns quinhentos anos pós-reforma. Vivemos em uma sociedade capitalista, onde o individualismo tem ganhado força; sociedade que valoriza o ter em detrimento do ser. Onde a realidade da igreja, que nasceu da reforma, é preocupante, pois a igreja agora é conhecida, famosa, é amiga dos grandes sistemas que controlam o mundo; é uma igreja que também, muitas vezes tem valorizado o ter. Esse tem sido o discurso: “Venha para minha igreja que Deus te dará!”. A igreja reformada que nasceu no século XVI se corrompeu. As indulgências dos dias atuais são as bênçãos de Deus, o quanto você pode pagar será o quanto que Deus vai te abençoar. Você quer um carro, plante um carro – assim é o discurso – ou oferte uma casa para ter uma casa maior.
Do mesmo jeito que ocorrera no século XVI: com a igreja corrompida vieram os excessos. O excesso de hoje é a troca da benção pela “oferta”. Na verdade não é uma oferta, é uma compra. Eu pago, logo quero a mercadoria; seja um emprego, uma casa, um prato de comida, um carro, seja a cura de uma doença. Repare que essa troca é sempre em busca do livrar o sofrimento, assim como o povo do século XVI, comprando as indulgências faziam. O sofrimento que está escancarado nos dias de hoje é o sofrimento do não ter. Se eu não tenho uma casa, um emprego, um carro eu sou uma pessoa mal vista pela sociedade devido o sistema de valores que se estabelece nos dias atuais, sistema que valoriza o ter em detrimento do ser. Logo a igreja percebe isso e com um desvio doutrinário gritante ela oferece aquilo que a sociedade deseja. A igreja oferece o ter.
A igreja corrompida e a sua busca pelo poder, e o povo e a sua busca por fugir do sofrimento. Até quando a igreja insistirá nisso? Até quando o povo insistirá nisso?! Até o dia em que a igreja despertar e ver que não é pelo tamanho do seu poder, e sim pelo tamanho do poder de Jesus Cristo que ela se tornará vitoriosa. E até o dia em que o povo perceber que não adianta fugir do sofrimento, este é parte integrante da existência humana e o homem tem de aceitá-lo, tem de dar uma nova visão a ele, e aí sim partir para uma caminhada verdadeira com Cristo.
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